Será que caminhamos para uma situação de pleno emprego e ninguém se apercebe disso? O problema do desemprego ou, dito de forma inversa, a crise do emprego, está a conduzir a Madeira para uma situação alarmante, potencialmente explosiva do ponto de vista social e com consequências imprevisíveis. Face a um problema tão grave e de contornos tão assustadores, é fundamental que um governo, qualquer governo, dê respostas capazes de restabelecer a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos, através da implementação de políticas que incentivem a criação de emprego, sobretudo o emprego qualificado. Sob esse ponto de vista a RAM necessita, hoje mais do que nunca, de um sector privado dinâmico, diversificado e livre das pressões e das manipulações do sector público. Mas, num cenário de crise, a pior coisa que pode acontecer é um Governo insistir numa política de ocultação de factos e de negação das realidades. A um Governo exige-se que enfrente os problemas e encontre soluções para lhe por cobro. Chama-se a isso decidir e é para isso que os governos existem. Um governo para ser credível tem de governar com transparência e falar verdade a todos os níveis da governação. É na base de um quadro real, não de um fictício, que se devem encontrar as melhores soluções para resolver os problemas sociais, económicos e financeiros da Madeira. Ora, é exactamente o contrário o que temos na RAM nesta matéria. O Governo Regional não só não tem soluções para a crise do emprego como insiste em negar a realidade do sector, distorcendo-a a seu bel-prazer.Passemos então aos factos. As estatísticas do desemprego na RAM estão ou não distorcidas? Se tivermos em conta que o número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no 1º trimestre de 2010, eram de 14.916 indivíduos, e as estimativas da Direcção Regional de Emprego da Madeira (DREM), que fornece os dados ao INE, no mesmo período de tempo, apontavam para a existência de 7909 desempregados, menos 7007 dos que anuncia o IEFP, como é que se explica esta diferença? De que forma se explica que os valores da DREM/INE apresentem menos 47% de desempregados?Se tivermos em conta que a taxa de desemprego na Região, ao contrário do que acontece no resto do país, cresce desde 2006, verificamos que o problema na Região é estrutural e não conjuntural. E, ao contrário do que é divulgado, o flagelo do desemprego na RAM é claramente superior à média do País, atingindo já os 11,8%, isto se tivermos em conta os dados oficiais (14.916 desempregados para 126.390 pop. activa).Aliás, ao contrário dos dados do INE, em todas as regiões do País e ao longo dos anos, os valores estatísticos são sempre superiores aos registados pelo IEFP. Já a Madeira desafia toda a lógica e apresenta sempre números inferiores aos valores registados no IEFP, com a agravante de no 1º trimestre de 2010 os mesmos terem sido inferiores em 47% (ver mapa anexo). É absolutamente extraordinário. Será que caminhamos para uma situação de pleno emprego e ninguém se apercebe disso?Talvez estas interrogações, até agora sem resposta, ajudem a explicar as razões pelas quais a DREM se recusa a conceder uma audiência ao Grupo Parlamentar do PS-M. Do nosso ponto de vista, a conclusão a tirar é óbvia: ao GR não interessa discutir estas questões e falar verdade sobre a realidade do desemprego na Região.E é precisamente porque não tem interesse em fazê-lo que o Sr. Secretário da tutela, Brazão de Castro, agendou um debate sobre o desemprego na ALM para o dia 29 de Julho, sabendo de antemão que muito dificilmente a Assembleia estará aberta nessa data. Será isto sério? Será isto credível? Jacinto Serrão
Será que caminhamos para uma situação de pleno emprego e ninguém se apercebe disso?
O problema do desemprego ou, dito de forma inversa, a crise do emprego, está a conduzir a Madeira para uma situação alarmante, potencialmente explosiva do ponto de vista social e com consequências imprevisíveis. Face a um problema tão grave e de contornos tão assustadores, é fundamental que um governo, qualquer governo, dê respostas capazes de restabelecer a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos, através da implementação de políticas que incentivem a criação de emprego, sobretudo o emprego qualificado. Sob esse ponto de vista a RAM necessita, hoje mais do que nunca, de um sector privado dinâmico, diversificado e livre das pressões e das manipulações do sector público. Mas, num cenário de crise, a pior coisa que pode acontecer é um Governo insistir numa política de ocultação de factos e de negação das realidades. A um Governo exige-se que enfrente os problemas e encontre soluções para lhe por cobro. Chama-se a isso decidir e é para isso que os governos existem. Um governo para ser credível tem de governar com transparência e falar verdade a todos os níveis da governação. É na base de um quadro real, não de um fictício, que se devem encontrar as melhores soluções para resolver os problemas sociais, económicos e financeiros da Madeira. Ora, é exactamente o contrário o que temos na RAM nesta matéria. O Governo Regional não só não tem soluções para a crise do emprego como insiste em negar a realidade do sector, distorcendo-a a seu bel-prazer.Passemos então aos factos. As estatísticas do desemprego na RAM estão ou não distorcidas? Se tivermos em conta que o número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no 1º trimestre de 2010, eram de 14.916 indivíduos, e as estimativas da Direcção Regional de Emprego da Madeira (DREM), que fornece os dados ao INE, no mesmo período de tempo, apontavam para a existência de 7909 desempregados, menos 7007 dos que anuncia o IEFP, como é que se explica esta diferença? De que forma se explica que os valores da DREM/INE apresentem menos 47% de desempregados?Se tivermos em conta que a taxa de desemprego na Região, ao contrário do que acontece no resto do país, cresce desde 2006, verificamos que o problema na Região é estrutural e não conjuntural. E, ao contrário do que é divulgado, o flagelo do desemprego na RAM é claramente superior à média do País, atingindo já os 11,8%, isto se tivermos em conta os dados oficiais (14.916 desempregados para 126.390 pop. activa).Aliás, ao contrário dos dados do INE, em todas as regiões do País e ao longo dos anos, os valores estatísticos são sempre superiores aos registados pelo IEFP. Já a Madeira desafia toda a lógica e apresenta sempre números inferiores aos valores registados no IEFP, com a agravante de no 1º trimestre de 2010 os mesmos terem sido inferiores em 47% (ver mapa anexo). É absolutamente extraordinário. Será que caminhamos para uma situação de pleno emprego e ninguém se apercebe disso?Talvez estas interrogações, até agora sem resposta, ajudem a explicar as razões pelas quais a DREM se recusa a conceder uma audiência ao Grupo Parlamentar do PS-M. Do nosso ponto de vista, a conclusão a tirar é óbvia: ao GR não interessa discutir estas questões e falar verdade sobre a realidade do desemprego na Região.E é precisamente porque não tem interesse em fazê-lo que o Sr. Secretário da tutela, Brazão de Castro, agendou um debate sobre o desemprego na ALM para o dia 29 de Julho, sabendo de antemão que muito dificilmente a Assembleia estará aberta nessa data. Será isto sério? Será isto credível? Jacinto Serrão
Jacinto Serrão