O deputado do CHEGA Francisco Gomes acusa o Governo de Luís Montenegro
de não ter respostas para os principais problemas do país e considera que o
executivo substituiu a capacidade de reformar Portugal por uma sucessão
permanente de anúncios, promessas e medidas que, na sua avaliação, ficam muito
aquém da transformação de que o país necessita.
Para o parlamentar, as principais áreas da governação encontram-se
comprometidas e "afogadas num lamaçal político", com problemas estruturais que
se prolongam apesar das sucessivas promessas de mudança.
Este Governo prometeu reformar Portugal, mas aquilo que os portugueses
encontram é um país onde os grandes problemas continuam por resolver. Há
anúncios, apresentações, promessas e propaganda, mas falta aquilo que realmente
interessa, que são resultados".
Na habitação, Francisco Gomes considera que a crise continua a impedir
milhares de portugueses, particularmente jovens e famílias trabalhadoras, de
encontrarem casa a preços compatíveis com os seus rendimentos. O deputado
sustenta que continua a faltar uma resposta capaz de aumentar
significativamente a oferta, estimular a iniciativa privada e mobilizar
eficazmente o património imobiliário do Estado.
Na saúde, o parlamentar considera que os problemas existentes apenas
não assumem maior dimensão devido à dedicação dos médicos, enfermeiros e
restantes profissionais, que acusa o poder político de obrigar a compensar
diariamente as insuficiências de organização e liderança. Na educação, aponta
uma classe docente envelhecida e desmotivada e considera insuficiente o ritmo
das reformas, apesar das alterações recentemente aprovadas pelo Governo para o
recrutamento e colocação de professores.
Temos profissionais de saúde a segurar o sistema com enorme sacrifício
pessoal e professores cansados de esperar por reformas que nunca chegam com a
profundidade prometida. Um país não pode sobreviver eternamente graças ao
esforço extraordinário dos seus profissionais para compensar a incompetência da
liderança política".
Em nota à imprensa, Francisco Gomes dirige igualmente fortes críticas à política migratória
e de fronteiras. O deputado considera que Portugal continua sem capacidade para
controlar eficazmente quem entra e permanece no território nacional. Na sua
avaliação, o país continua vulnerável às redes internacionais de narcotráfico e
a fluxos migratórios que considera desajustados das necessidades nacionais,
incluindo os provenientes do subcontinente indiano.
Um Estado que não controla as suas fronteiras não controla o seu
território. Portugal tem de decidir quem entra, em que condições entra e se
essa imigração serve efectivamente as necessidades do país. As fronteiras
existem para serem respeitadas e o interesse dos portugueses tem de estar acima
de qualquer outra consideração".
Na Administração Interna, Francisco Gomes acusa ainda o ministro Luís
Neves de ter contribuído para aquilo que considera uma profunda degradação
política da tutela das forças de segurança, apontando falta de efetivos, meios
e condições de trabalho e reiterando as críticas que tem dirigido à atuação
política do governante.
Para o deputado, o conjunto destes problemas demonstra que o atual
ciclo governativo está politicamente esgotado e que Portugal necessita de uma
mudança na orientação do Estado.
"Este governo está a prazo porque prometeu mudança e entregou
continuidade. Olhamos para as grandes áreas do Estado e encontramos problemas
acumulados e portugueses cansados de esperar. O país precisa de uma mudança e o
CHEGA apresenta-se aos portugueses com a ambição de assumir responsabilidades
de governo e aplicar um projecto novo para Portugal", concluiu.

