A visita de uma delegação de eurodeputados à ARDITI poderá
abrir uma porta para a divulgação, em Estrasburgo, das capacidades que a
Madeira possui na investigação e exploração do mar profundo. Younous Omarjee,
vice-presidente do Parlamento Europeu, sugeriu a realização de um fórum no qual
a Região possa apresentar o trabalho desenvolvido nesta área.

A informação foi avançada por Rui Caldeira, dirigente da
ARDITI, no final da passagem dos deputados europeus pela Marina do Funchal e
pelo varadouro de São Lázaro, onde conheceram alguns dos meios de exploração
dos mares operados pela instituição e adquiridos com financiamento comunitário.

“Já houve algumas interacções, eles percebem as nossas
dores”, afirmou Rui Caldeira, referindo que Younous Omarjee “sugeriu promover
em Estrasburgo um fórum onde nós pudéssemos mostrar o nosso potencial de
exploração do mar”.

A delegação de dez eurodeputados da Comissão do
Desenvolvimento Regional (REGI) do Parlamento Europeu iniciou a visita à ARDITI
pelas 8h30, nas instalações do Madeira Tecnopolo. A comitiva é chefiada por
Younous Omarjee e integra também os eurodeputados portugueses Sérgio Gonçalves
e Paulo Nascimento Cabral.

Depois da passagem pelo Tecnopolo, os parlamentares
deslocaram-se à Marina do Funchal e ao varadouro de São Lázaro, onde Rui
Caldeira apresentou os equipamentos utilizados na investigação e exploração dos
mares.

O dirigente da ARDITI considerou particularmente importante
que os eurodeputados possam conhecer no terreno não só os resultados dos
investimentos realizados com fundos comunitários, mas também as condições
específicas em que a investigação é desenvolvida numa região ultraperiférica.

“Somos um posto avançado europeu no Atlântico”, salientou,
defendendo que a Madeira deve ser encarada como parte de uma “Europa Atlântica”
e não apenas como uma região periférica.

Rui Caldeira destacou o investimento que a Região tem
realizado nas tecnologias marinhas, particularmente nas tecnologias de mar
profundo, considerando que a posição geoestratégica do arquipélago e o acesso
próximo a grandes profundidades constituem vantagens que podem ser aproveitadas
pela própria União Europeia.

“A Europa de mar profundo também passa pela Madeira”,
afirmou.

A visita permitiu ainda transmitir directamente aos
eurodeputados algumas das dificuldades sentidas pela investigação regional.
Entre elas estão a capacidade de atrair massa crítica, fixar jovens
investigadores e entrar nas redes que estão na origem dos grandes projectos
europeus.

Segundo Rui Caldeira, estes projectos são muitas vezes
configurados em torno de grandes grupos europeus com maior capacidade de
influência e acesso às respectivas redes, colocando instituições de regiões
ultraperiféricas perante dificuldades acrescidas.

A passagem dos eurodeputados pela ARDITI inseriu-se na
missão da Comissão do Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu à Madeira,
que tem permitido à delegação conhecer no terreno projectos apoiados por fundos
comunitários e as especificidades decorrentes da ultraperiferia.