A XXIV edição da Regata Internacional Canárias, uma das mais
emblemáticas travessias oceânicas de vela de cruzeiro no Atlântico, foi formalmente apresentada esta terça-feira. Assim, entre os
dias 1 e 5 de Setembro, velejadores dos arquipélagos da Madeira e de Canárias
vão cumprir 262 milhas náuticas a separar Santa Cruz de Tenerife da costa
madeirense. Este evento é co-organizado pelo Clube Naval do Funchal (CNF) e
pelo Real Club Náutico de Tenerife (RCNT) e conta com cerca de 28 embarcações,
oito das quais de pavilhão português.

A largada está agendada para as 12 horas de 1
de Setembro, em Tenerife, com a linha de meta montada nas proximidades na
promenade do Caniço. Após cruzarem a chegada, as embarcações rumarão ao
Funchal, ficando sediadas no Porto e na Marina da cidade, ao passo que o Centro
Náutico de São Lázaro acolherá o Village da Regata a partir de 3 de Setembro.

Em disputa estará o Troféu Dr. Alivar Jones Cardoso, destinado ao primeiro
barco em tempo real, com atenções viradas para o ‘Sorodongo IV’, que procura
vencer pela 5.ª vez, de forma a guardar o histórico troféu. No entanto, a
competição ganha particular interesse depois de, em 2024, o ‘Lola Tres’ ter
estabelecido o actual recorde da regata, com 36h15m10s, tornando a edição de
2026 uma nova oportunidade para desafiar uma das marcas mais importantes da
história da prova.

Na abertura da sessão, o presidente da direcção
do Clube Naval do Funchal, João Santos, vincou a dimensão histórica da
prova: "Não vamos assistir a mais uma regata. No fundo, estamos a dar
continuidade a uma história iniciada há quase meio século, feita de mar, vento,
competição e sobretudo amizade entre a Madeira e as Canárias". O dirigente
naval destacou as exigências tácticas e físicas de uma travessia "onde a
experiência, a estratégia, a resistência e o trabalho de equipa são postos à
prova", formulando votos de sucesso e rigorosa segurança marítima a todas
as tripulações.

Em representação do Município do Funchal, a
vereadora Helena Leal enalteceu o papel catalisador do evento para a cidade e
para o arquipélago: "O mar é parte integrante do nosso património e da
nossa identidade, mas também um activo estratégico que nos liga ao mundo e, de
forma muito especial, às Canárias". A autarca sublinhou que o evento
transborda o domínio desportivo, gerando impacto cultural, social e recreativo,
e reiterou o compromisso do Funchal no apoio continuado a provas que valorizem
a frente marítima regional.

A encerrar a apresentação, o secretário regional
de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, classificou a regata como
"o marco mais significativo de uma agenda atlântica que a Madeira tem cada
vez mais que afirmar".

O governante sustentou que a condição dual do
arquipélago (Madeira e Porto Santo) e o seu posicionamento geográfico abrem
portas a um crescimento sustentado da actividade náutica de recreio e da
economia azul: "A afirmação de uma agenda atlântica está nas nossas mãos
(...). Reitero publicamente o interesse do Governo Regional em estar ao lado do
Clube Naval na concretização de projectos que afirmam a Madeira como o porto
seguro de muitas outras manifestações desta natureza".

Eduardo Jesus fez ainda questão de realçar o
equilíbrio exemplar entre as actividades marítimo-turísticas e a preservação
ambiental: "O nosso mar até às 12 milhas é altamente protegido, cerca de
80% beneficia de algum regime de protecção. Esse posicionamento não é
conflituante com a prática desportiva; pelo contrário, valoriza-a bastante,
porque estas manifestações respeitam essas áreas e promovem a sustentabilidade".

Para o acompanhamento em tempo real será divulgado uma ligação nas
redes sociais oficiais do Clube Naval do Funchal no dia da largada, culminando
o programa a 5 de Setembro com a entrega de prémios na Quinta Calaça.

Este texto foi elaborado pelos estagiários
Marco Baeta Sousa e Vitória Cró Santos, sob a supervisão do editor-executivo
João Filipe Pestana