Apesar de integrar o Governo Regional, o CDS-PP Madeira considera necessário reforçar o investimento público na habitação, defendendo que esta deve assumir um lugar central no Orçamento da Região para 2027. A posição foi assumida pelo Conselho Regional do partido, reunido esta tarde, que pretende ver canalizado para a construção habitacional o maior volume possível de recursos financeiros.

Para os centristas, aumentar a oferta de casas exige uma intervenção que não se limite à construção pública. Entre as soluções apontadas estão a redução da burocracia nos licenciamentos, os incentivos fiscais à construção e aquisição de imóveis, a cedência de terrenos para autoconstrução e cooperativas e a recuperação do crédito bonificado para jovens casais e famílias da classe média. O partido defende igualmente alterações à legislação do arrendamento e o envolvimento de investidores privados na disponibilização de habitação a preços acessíveis.

Na definição das prioridades orçamentais para o próximo ano, o CDS inclui ainda a valorização dos salários acima da inflação, a descida do IRC para 12,6%, a aplicação de uma taxa de IVA de 4% aos bens essenciais, medidas de apoio perante o agravamento dos preços dos combustíveis e o aumento da capacidade de resposta dos lares e residências assistidas.

A posição surge também num contexto de contestação à falta de habitação. Embora reconheça as dificuldades e o descontentamento de quem não consegue encontrar casa, o CDS critica aquilo que classifica como instrumentalização dos protestos por sectores da extrema-esquerda, condenando eventuais comportamentos violentos.

O partido recorda, por outro lado, que o executivo madeirense construiu mais de 800 habitações nos últimos anos, considerando, contudo, que o ritmo de investimento deverá ser intensificado.