A renovação dos dadores de sangue
que contribuem para as reservas do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) tem
garantido a autossuficiência da Madeira neste âmbito, ainda que Rui Pimenta saliente
a importância de serem mantidas as dádivas regulares ao longo de todo o ano
para garantir a resposta às necessidades dos doentes.
O médico do Serviço de Sangue e
Medicina Transfusional do SESARAM falava à margem da cerimónia comemorativa do
Dia Mundial dos Dadores de Sangue na Região, que teve lugar esta segunda-feira,
no Madeira Tecnopolo, onde foram homenageados 312 dadores, oito dos quais que
completaram 100 dádivas.
Em 2025, o Serviço de Sangue
contabilizou mais de três mil dadores activos, responsáveis por quase seis mil
dádivas de sangue. De acordo com Rui Pimenta, estes números permitem manter a
autossuficiência da Região, um objectivo que tem sido alcançado ao longo dos
anos.
Rui Pimenta salientou ainda a
evolução do perfil dos dadores madeirenses. Se no passado predominavam homens
com mais de 50 anos, actualmente verifica-se uma maior participação de jovens e
mulheres.
“Em 2025, cerca de 50% dos
dadores tinham menos de 45 anos e 40% eram mulheres”, revelou, considerando que
esta renovação geracional oferece maior confiança quanto à sustentabilidade
futura das reservas de sangue.
Apesar desta evolução positiva,
Rui Pimenta defendeu a continuação das campanhas de sensibilização e do
recrutamento de novos dadores, lembrando que ainda persistem alguns mitos
associados à dádiva de sangue. O médico garantiu que o serviço está disponível
para esclarecer dúvidas e acompanhar todos os potenciais candidatos a dadores.
Os homenageados deste ano receberam diplomas pelas dez dádivas efetuadas e medalhas pelas
20, 40, 60 e 100 dádivas alcançadas.
Para Rui Pimenta, estes números
reflectem um compromisso extraordinário com a comunidade. “São pessoas que, ao
longo de anos e até décadas, ajudaram a salvar inúmeras vidas através de um
gesto simples e voluntário”, sublinhou.
Aos jornalistas, reforçou, ainda,
que a realidade regional é actualmente mais favorável do que a verificada
noutras zonas do País, mas a curta validade dos componentes sanguíneos obriga a
um trabalho permanente de renovação das reservas.
“A nossa situação, felizmente, é
estável. Pode até ser um pouco melhor do que a situação do continente. Mas
nunca podemos ter um excesso de confiança”, afirmou.
Rui Pimenta explicou que os
glóbulos vermelhos, utilizados nas transfusões de sangue, têm uma validade
máxima de seis semanas, enquanto as plaquetas podem ser armazenadas durante
apenas cinco dias. Por essa razão, sublinhou que o objectivo não passa por
concentrar grandes campanhas de recolha em determinados períodos, mas sim
garantir dádivas constantes ao longo do tempo.
“Pode estar tudo bem hoje e não
estar daqui a um mês e meio. O que nos interessa são dádivas sustentadas, para
conseguirmos renovar continuamente o stock e assegurar o tratamento dos nossos
doentes”, destacou.

