O busto de Cristo Salvador na Basílica de Santa Inês
Fora-dos-Muros, em Roma, cujo autor era até então desconhecido, é uma das obras
de Miguel Ângelo que se acreditava estarem perdidas, segundo uma investigação.

O trabalho da investigadora Valentina Salerno permitiu a
atribuição de pelo menos 20 obras ao artista renascentista.

Uma destas obras é este busto, de acordo com Salerno, que
apresentou a sua descoberta na quarta-feira, 4 de Março, numa conferência de imprensa em
Roma.

A investigadora descreveu, com base em documentos, a história da
obra e afirmou que os especialistas vão agora precisar de verificar as suas
descobertas.

A estátua era considerada anónima e catalogada como um "busto
escultural de um artista anónimo da escola romana do século XVI".

Entre outros documentos, Salerno apresentou testamentos,
correspondência, diários, relatórios, inventários notariais e registos de
confrarias desde 1564 até aos dias de hoje, bem como esboços de Miguel Ângelo,
para argumentar que o busto criado em 1534, que retrata Tommaso dei Cavalieri,
um amigo próximo do artista, foi transferido da casa de Buonarroti para a
Igreja de Sant'Agnese in Agone após a sua morte.

Inicialmente, o busto foi mantido numa capela fechada e,
posteriormente, colocado na Basílica.

Esta peça é uma das 20 obras que a autora conseguiu reatribuir no
seu estudo "Michelangelo: Os Últimos Dias", que durou mais de 10 anos
e foi possível graças à assistência da Ordem dos Cónegos Regulares
Lateranenses, que administram a Igreja.

Durante séculos, acreditou-se que o artista tinha destruído
centenas de esboços, desenhos e esculturas que guardava em sua casa.

No entanto, segundo a investigação de Salerno, Miguel Ângelo não
destruiu as estátuas, mas antes arquitetou um plano antes da sua morte para
evitar que caíssem em mãos erradas, confiando-as aos seus amigos mais próximos.

Um outro elemento que reforça esta reconstituição é que durante um
leilão da Christie's em Londres, em fevereiro, surgiu um desenho de um pé
atribuído a Miguel Ângelo, com uma proveniência que coincide com a do busto
romano.

Esta coincidência, segundo os estudiosos, solidificaria toda a
cadeia de documentação.

Aguardando a aceitação por parte da
comunidade científica, que o acrescentaria às obras posteriores de Miguel
Ângelo, o busto permanecerá no seu local atual.