A APRAM - Administração dos Portos da Região Autónoma da
Madeira está à procura de formas de financiar a expansão, revelou esta terça-feira, 24 de Fevereiro, a presidente da entidade,
Paula Cabaço, apontando que o estudo da ampliação do Porto do Funchal deverá entrar na fase final este Verão.

Em declarações à comunicação social à margem da conferência
de imprensa realizada no âmbito da Cimeira Europeia da Cruise Lines
International Association (CLIA), que decorreu no Casino Park Hotel, no
Funchal, e que contou com a presença de Bud Darr, presidente e CEO da
associação, Paula Cabaço defendeu que o Porto do Funchal tem de acompanhar as
exigências da sustentabilidade e da transição energética, sublinhando que a
adaptação às metas europeias é uma obrigação regulamentar e uma necessidade
estratégica para o sector dos cruzeiros tendo em conta as metas definidas pela
União Europeia.

“A questão da sustentabilidade não só é uma obrigação do
ponto de vista das regras comunitárias, com as metas que temos de atingir do
ponto de vista da descarbonização, como as próprias companhias de cruzeiro
estão muito comprometidas com a sustentabilidade e têm dado passos muito
grandes em relação a estes aspectos e nós temos de acompanhar esta tendência”,
atentou, garantindo empenho na transição digital e energética.

Paula Cabaço lembrou que a APRAM concluiu um projecto, co-financiado
pela União Europeia, que estudou a viabilidade técnica e financeira da
implementação de sistemas OPS (Onshore Power Supply), permitindo fornecer
energia eléctrica aos navios quando estão atracados. O objectivo, explicou, é “abastecer
com electricidade os navios quando chegam aos portos, desligar os motores,
deixarem de produzir emissão de gases, de produzir ruídos, de vibrações”, mas
para isso é necessário financiamento.

“Neste momento estamos à procura de fundos financeiros que
nos permitam implementar o abastecimento de energia eléctrica aos navios”,
afirmou.

Paralelamente, revelou, a administração portuária tem em curso outras
iniciativas, incluindo projectos com universidades nacionais e internacionais,
como o SHIFT to Diret Current (SHIFT2DC) Horizon Europe, que estuda outras soluções
energéticas, nomeadamente em corrente contínua. “Somos um pequeno porto, mas
podemos funcionar muito bem como um piloto e ser uma referência a nível
europeu”, declarou, acrescentando que estão também a ser desenvolvidas
plataformas informáticas para medir as emissões de gases do porto e dos navios.

Sobre a ampliação do Porto do Funchal, Paula Cabaço recordou
que o projecto de engenharia prevê o aumento do Cais 3 em cerca de 400 metros e
o prolongamento do Cais 8, estando a componente técnica concluída. Faltam,
porém, ensaios operacionais em simulador e estudos geológicos e geotécnicos, a
realizar no Verão, quando não há navios atracados.

Prolongamento do Porto do Funchal

A presidente da APRAM salientou a importância estratégica da
expansão: “O aumento do Porto do Funchal não nos permite só receber navios
maiores ou mais um navio, também nos permite tornar operacional o Cais 8 (…)
permite-nos ter um lugar no centro da cidade, que é o Cais 8, em pleno centro
da cidade, vejam a mais-valia que isto representa do ponto de vista do
destino.”

Quanto à capacidade de resposta em época alta, a responsável
da APRAM reconheceu constrangimentos pontuais. “Temos ao longo do ano alguns
casos pontuais em que não podemos, de facto, não temos capacidade de dar
resposta durante o Inverno”, disse, admitindo que a crescente dimensão dos
navios já impediu, em determinadas situações, a atracação simultânea de duas
embarcações por razões de segurança.

Capacidade de resposta

Relativamente ao contacto com companhias presentes na
cimeira, indicou ter recebido reacções positivas, embora sublinhando que os
itinerários são definidos com cerca de um ano e meio de antecedência. “É
preciso pormo-nos na montra”, concluiu.

“Melhor época de sempre”

O Porto do Funchal registou, no primeiro mês do ano, 41 escalas de navios de cruzeiro, que trouxeram a bordo 113.210 passageiros. Trata-se de um aumento na ordem dos 14% do número de navios atracados face a igual período de 2025 e de uma subida de 26% do número de pessoas desembarcadas.

Ontem, em declarações à comunicação social, a presidente da Administração de Portos da Madeira, Paula Cabaço, destacou que os dados referentes a Janeiro são “muito promissores” e afirmou que a Região terá “a melhor época de sempre” no sector: “Entre Outubro de 2025 e Maio deste ano, as nossas expectativas são de novamente superar aquilo que têm sido os valores obtidos nos últimos anos.”

Sem querer antever o resultados globais de 2026, a responsável disse ter esperanças de que seja um ano positivo.

“Melhor época de sempre”

A Região Autónoma da Madeira alcançou em 2025 “o melhor ano de sempre para o sector dos cruzeiros”, com mais de um milhão de pessoas a chegar à Madeira a bordo de navios de cruzeiros, um movimento recorde de 746.257 passageiros, com um crescimento de 2,42% em relação ao ano anterior, um crescimento de 4,74% no número de escalas de navios de cruzeiro passando de 316 em 2024 para 331 escalas em 2025. Além disso, o número de tripulantes também subiu de 271.974 tripulantes (2024) para 278.185 tripulantes (2025), um aumento de 2,38%, e o número de pernoitas aumentou 17%, passando de 104 noites em 2024 para 122 noites em 2025.

Em 2025, os passageiros que pernoitaram no Funchal aumentaram de 131.707, no ano passado, para 172.396 passageiros, este ano, um crescimento de 30,8%. Também o número de turnarounds (início/fim de uma viagem de cruzeiro) subiu 40,9%, passando de 22 escalas em 2024 para 31 escalas em 2025.