Nos quase
3,5 milhões de ficheiros de documentos, imagens e vídeos do caso Jeffrey
Epstein, o nome da Madeira surge pelo menos três vezes, mas apenas de forma
indirecta e não ligada às actividades criminosas do pedófilo norte-americano.

A referência
mais directa diz respeito a uma mensagem de correio electrónico enviada em 17
de Outubro de 2010 ao milionário norte-americano e dizia respeito à tentativa de
registo do endereço de Internet Jeffreyepstein.com. Tal diligência saiu frustrada,
pois o endereço fora registado previamente pela empresa ‘Register.Com LP’, inscrita
na Zona Franca da Madeira e sediada na Rua Dr. Brito Câmara. O remetente da
mensagem era Al Seckel, cunhado de Ghislaine Maxwell, amante e sócia de Epstein,
que na altura estava empenhado numa operação de ‘limpeza’ da reputação do milionário
online.

A segunda
referência à Madeira está relacionada com outra empresa da Zona Franca, a ‘Fratelli
Cosulich Consultadoria e Participações Unipessoal, Lda’, com sede na Rua da Queimada
de Baixo mas ligada a um armador italiano com o mesmo nome. O documento que
consta dos arquivos Epstein tem a ver com um litígio que esta sociedade teve
num tribunal do Alabama em 2015. O documento surge no meio de outros
relacionados com várias empresas, que porventura terão a ver com as actividades de
investimento do pedófilo.

Há uma terceira
referência à Madeira mas que aparenta resultar de um lapso. Consta de várias mensagens de assistentes de Epstein sobre viagens aéreas dos EUA para a Europa, em que as escalas intermédias nos Açores são mencionadas como tendo lugar no aeroporto… do Funchal.

Os últimos ficheiros Epstein foram divulgados em 30 de Janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados
Unidos. Os arquivos contêm referências a possíveis casos de
escravatura sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura,
tratos desumanos e degradantes, e feminicídio. Os documentos resultam da investigação ao consultor
financeiro Jeffrey Epstein, condenado em 2008 por crimes sexuais envolvendo uma
menor. Epstein cometeu suicídio numa cela de prisão em 2019,
enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos EUA sobre
abuso sexual de dezenas de mulheres, incluindo menores.