O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, acusou
os partidos da oposição de “algum cinismo” no debate sobre a habitação,
considerando contraditório que forças políticas com responsabilidades
governativas no passado critiquem agora a falta de casas. À margem da visita à
Escola Básica com Pré-Escolar e Creche Dr. Alfredo Nóbrega Júnior, na Camacha,
o governante garantiu que a Região mantém a capacidade de resposta e anunciou a
construção de mais de 300 habitações no próximo ano.

“Acho que aqui há algum cinismo no meio disto tudo”,
afirmou, dirigindo as críticas, em particular, ao Partido Socialista, tanto a
nível nacional como regional. Albuquerque questionou a actuação dos socialistas
durante os períodos em que exerceram funções governativas e apontou
responsabilidades aos antigos autarcas do Funchal.

“Autarcas que foram eleitos do PS, que tiveram mandatos na
principal Câmara da Madeira, que é a Câmara do Funchal, e não fizeram nenhuma
habitação”, declarou aos jornalistas, contrapondo que, durante a sua passagem
pela autarquia, construiu “centenas e centenas de habitações”.

O presidente do Governo Regional considerou que a resposta à
crise habitacional exige tempo e planeamento, desde a elaboração dos projectos
à aquisição de terrenos e à construção dos imóveis. Nesse sentido, rejeitou as
exigências de resultados imediatos dirigidas ao Governo da República, liderado
há cerca de dois anos, sublinhando que “as casas não se fazem em projecção
espontânea”.

Apesar das críticas à contestação política, Albuquerque
reconheceu que a preocupação com a falta de habitação é legítima, sobretudo
entre os mais jovens, defendendo que o debate deve decorrer sem radicalização.

“Acho que têm [razão ao criticar a falta de habitação], mas a solução é fazê-la”
— Miguel Albuquerque

809 novas casas nos últimos dois anos

O governante garantiu que o Executivo madeirense já atribuiu
809 habitações nos últimos dois anos e que continuará a disponibilizar casas a
preços acessíveis, com particular atenção às famílias e aos casais com maiores
dificuldades de acesso ao mercado.

Segundo Albuquerque, cerca de 15 mil pessoas vivem actualmente
em 68 empreendimentos habitacionais do Governo Regional. O presidente do
Executivo defendeu ainda que a política regional não se limita à habitação
social, abrangendo a disponibilização de casas em localizações que considerou
privilegiadas, bem como medidas de apoio ao pagamento de rendas e à aquisição
de habitação.

Construção de “50 e tal apartamentos” vai avançar junto à APEL

Entre as respostas em curso, apontou os apoios às rendas, os
incentivos à aquisição e ao pagamento das prestações da casa e o programa de
recuperação de habitações, através do qual, afirmou, mais de 500 famílias foram
apoiadas nos últimos anos.

Albuquerque revelou ainda que a habitação cooperativa continuará
a merecer o apoio público sendo um parceiro importante na política, anunciando
que deverá ser brevemente adjudicada a construção de “50 e tal apartamentos”
nas imediações da APEL.

“Essa é mais uma demagogia barata” do JPP

Questionado sobre as manifestações previstas para 14 de Novembro,
o presidente do Governo Regional admitiu que poderá existir alguma adesão,
atribuindo a mobilização à capacidade de organização dos partidos da esquerda e
da extrema-esquerda.

Criticou ainda o que classificou como uma estratégia de
radicalização política, considerando que esta impede uma discussão racional das
soluções para a habitação.

Questionado pelos jornalistas, o governante reagiu também às
críticas do JPP sobre os investimentos em campos de golfe, que o partido
considera deverem ser canalizados para a habitação. “Essa é mais uma patética
do JPP, é mais uma demagogia barata”, respondeu.