Começa a ganhar força, junto dos residentes na Madeira, a manifestação pelo direito à habitação prevista para as 17h00 do dia 14 de Novembro em várias cidades do país, com cerca de cem pessoas a participarem numa assembleia popular de preparação, que decorreu ao final da tarde deste domingo, no Jardim Municipal do Funchal.
Através de votação entre os presentes no anfiteatro, foram escolhidos quatro porta-vozes do movimento na Região e um conjunto de grupos de trabalho que vão preparar o manifesto, o material de comunicação, recolher dados sobre a carência de habitação, estudar as questões legais relacionadas com o direito à manifestação e a animação que vai acompanhar o protesto. "Todos nós temos vidas. No entanto, todos nós podemos dar um bocadinho à causa. Em causa que toca a todos nós. Todos nós precisamos de uma casa, independentemente da política e do que recebemos. Sabemos que existem pessoas que recebem acima da média e que, ainda assim, não conseguem pagar um apartamento ou uma casa", disse Inês Tecedeiro, uma das porta-vozes eleitas hoje.
Na assembleia popular, que se prolongou por mais de uma hora, algumas pessoas deram o seu testemunho para mostrar quão problemática é a situação habitacional. Foi o caso de Liliana Valente que é uma das "muitas pessoas [que vivem em casas arrendadas] no Funchal" que estão "a receber cartas dos senhorios para rescindir os contratos", com o objectivo de fazer subir os valores do aluguer. No caso da sua família, tem até 30 de Abril para sair da habitação onde vive e ainda não sabe como vai resolver a sua situação. "Actualmente um T1 no Funchal está a mais de 1.500 euros. Eu vivo com o meu companheiro e o nosso filho de 16 anos e não sabemos para onde ir. Nós não temos nem carta, nem carro. Portanto, não podemos ir para a RIbeira Brava ou para outro sítio, para vir trabalhar no Funchal. Como eu, há muitíssima gente nestas circunstâncias, porque realmente o Funchal tornou-se uma cidade para o turismo e para os vistos Gold. Não há mesmo apartamentos disponíveis para aluguer. O que precisamos é de rendas acessíveis, com base nos salários que temos. Isso é essencial", declarou.

O número de pessoas presentes no encontro deste domingo emocionou Catarina Claro, que considera que "já estava na hora, há muito tempo" de os madeirenses "fazerem uso da Democracia para um direito que é de todos". "Se estão ainda em casa sentados, não sei o que estão a fazer, porque está mesmo na hora de virmos para a rua para defendermos um direito que é de todas as pessoas", acrescentou. Esta cidadã explicou também a sua situação pessoal: "Hoje eu estou aqui em defesa de mim própria, dos meus mas acima de tudo em defesa de todos nós. portanto, eu não estou aqui só por mim. Estou aqui por todas as pessoas na Região Autónoma da Madeira e a nível nacional, por defender o direito à habitação para todas as pessoas. Efectivamente eu não vivo uma condição favorável. Vivo numa casa emprestada por um familiar e é assim que conseguimos sobreviver, com um filho, com escola para pagar. Porque se não, na minha família seria impossível nós estarmos a arrendar uma casa neste momento.

Na reunião desta tarde, que foi seguida discretamente por alguns agentes da PSP, ficou já convocada para as 17h00 do próximo sábado, também no Jardim Municipal, uma nova assembleia geral deste movimento para fazer um ponto de situação dos preparativos para a manifestação de 14 de Novembro.

