A Central Hidroeléctrica dos
Socorridos passou a dispor de condições para armazenar energia hídrica
equivalente a cerca de 40 megawatts/hora (MWh), capacidade que corresponde, em
termos de reserva energética, à das duas baterias eléctricas já instaladas pela
Empresa de Electricidade da Madeira (EEM).
A explicação foi dada esta
sexta-feira pelo presidente do conselho de administração da EEM, Francisco
Taboada, durante uma visita à central, onde foram apresentadas duas
intervenções que agora ficaram concluídas. Trata-se de uma nova conduta,
paralela à já existente, e da modernização tecnológica da estação de bombagem
que permitem melhorar a gestão dos recursos hídricos e reforçar a eficiência do
sistema.
O investimento global ronda os sete
milhões de euros, repartidos entre a renovação tecnológica da central, que
custou pouco mais de três milhões, contemplando a remodelação completa dos
equipamentos, que inclui a renovação de quatro bombas de 3,5 MW cada uma e de
todos os sistemas de arranque, comando e controlo, bem como a construção da
nova conduta, com um custo semelhante.
A principal alteração consiste em
autonomizar a circulação da água destinada ao regadio e ao consumo humano
relativamente à utilizada na produção de electricidade. Desta forma, a central
pode continuar a produzir energia sem prejudicar o abastecimento às estações de
tratamento de água de Câmara de Lobos e de Santa Quitéria, nem o fornecimento
para regadio.
“Vamos permitir fazer a gestão
desses três componentes sem prejudicar nenhuma delas”, explicou Francisco
Taboada, referindo-se à produção de electricidade, ao consumo humano e à rega.
Desta forma, fica reforçada a
capacidade operacional, a fiabilidade e a flexibilidade de exploração do
Sistema de Fins Múltiplos dos Socorridos.
Uma ‘bateria de água’
O sistema assenta também na
utilização de dois reservatórios, cada um com uma capacidade de 40 mil metros
cúbicos, um localizado na Central dos Socorridos e outro no Covão, na parte
superior do sistema.
A estação de bombagem permite
devolver a água ao reservatório superior, para que possa voltar a ser utilizada
na produção de electricidade. É este mecanismo que permite armazenar energia
sob a forma de água, funcionando de maneira semelhante a uma bateria.
Segundo Francisco Taboada, a
reserva energética associada à água armazenada no Covão corresponde a cerca de
40 MWh, o equivalente à capacidade conjunta das duas baterias eléctricas da
EEM.
A bombagem é efectuada durante o
período nocturno, quando a empresa dispõe de energia renovável a preços mais
baixos. A água é posteriormente utilizada para produzir electricidade, de
acordo com as necessidades do sistema e a disponibilidade dos recursos hídricos
e da energia renovável.
O responsável ressalvou que a
autonomia efectiva depende da quantidade de água disponível e dos ciclos de
bombagem possíveis, pelo que não é possível estabelecer um número fixo de dias
de abastecimento energético apenas com base na capacidade de armazenamento.
Água do Seixal, São Vicente e do Curral
Francisco Taboada explicou que
parte da água utilizada no abastecimento da zona Oeste do Funchal tem origem em
São Vicente e no Seixal, sendo transportada através do Canal do Norte.
Ao longo do percurso, a água é
utilizada na produção de electricidade na Central da Serra de Água, seguindo
depois por túneis até ao Curral das Freiras, onde recebe também contributos de
outras captações, nomeadamente da Ribeira do Cidrão.
A água é posteriormente
encaminhada para o Covão e chega à Central dos Socorridos, onde volta a ser
utilizada para produzir electricidade antes de ser disponibilizada para consumo
humano e regadio.
Este sistema permite transportar
recursos hídricos das zonas onde existe maior disponibilidade para áreas com
maior necessidade de abastecimento, conforme notou o presidente da eléctrica
madeirense.
Porto Santo com 70% de energia
renovável em 2027
Questionado sobre os próximos
investimentos da EEM, Francisco Taboada adiantou que o sistema energético do
Porto Santo é o próximo grande projecto a entrar em funcionamento.
O sistema, que já se encontra em
fase de ensaios, integra um parque eólico, um parque solar e baterias
eléctricas. Segundo o responsável, permitirá manter a central térmica desligada
durante cerca de 200 dias por ano.
A empresa espera que, já no
próximo ano, a produção de energia renovável no Porto Santo atinja cerca de
70%.
Francisco Taboada acrescentou
ainda que os investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) foram concluídos dentro do prazo previsto, fixado em 31 de Agosto.

