Um modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido por
investigadores de várias universidades norte-americanas conseguiu superar os
melhores jogadores humanos de um dos jogos de estratégia mais populares, o
Stratego.
O modelo superou largamente os melhores jogadores e demonstrou
grande eficácia noutros jogos semelhantes.
Além disso, ao contrário dos projetos anteriores, a plataforma
destacou-se por ser extremamente eficiente e económica na sua fase de formação.
Para alcançar este resultado, os criadores combinaram algoritmos
avançados com uma técnica inovadora de planeamento no momento da decisão,
baseada em probabilidades.
Os investigadores envolvidos no desenvolvimento salientaram que,
no futuro, esta tecnologia poderá ser aplicada em situações do mundo real tão
complexas como as negociações comerciais, a cibersegurança e as manobras
militares.
O trabalho contou com a participação de investigadores do
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), da Universidade Carnegie Mellon,
da Universidade de Nova Iorque e da Universidade de Stanford, e as conclusões
foram publicadas na revista Nature.
O Stratego é um jogo para dois jogadores com informação
imperfeita, no qual a identidade das peças do adversário permanece oculta, e é
frequentemente utilizado como referência para testar as capacidades de
raciocínio estratégico dos modelos mais potentes de inteligência artificial.
O sistema de IA obteve um desempenho superior ao dos modelos
concorrentes mais avançados neste jogo e mostrou-se muito mais económico e
menos exigente do ponto de vista computacional para o treino, segundo o resumo
do trabalho divulgado pelo MIT.
O instituto destacou ainda que o modelo superou os melhores
jogadores humanos noutros jogos de estratégia com regras e designs diferentes,
demonstrando a sua capacidade de generalização para vários casos de utilização.
O mundo está repleto de problemas relacionados com a informação
"imperfeita", constataram os investigadores, sublinhando que, nestas
interações, algumas partes possuem informação que outras desconhecem.
Por exemplo, os operadores nos mercados financeiros podem não
conhecer a lógica por detrás das transações de outros, enquanto as forças
militares provavelmente não têm pleno conhecimento das posições inimigas.
Com informação oculta, as decisões tomadas pelas partes, bem como
aquelas que decidem não tomar, estão entrelaçadas de tal forma que se torna
extremamente difícil determinar os melhores passos a seguir.
O Stratego é frequentemente utilizado para modelar situações de
informação imperfeita. Neste jogo de guerra de tabuleiro, que se assemelha ao
xadrez militar, os jogadores posicionam 40 peças no seu lado do tabuleiro e
depois movimentam-nas para capturar a bandeira do adversário, embora a identidade
de todas as peças permaneça em segredo até colidirem, altura em que a peça de
menor hierarquia é eliminada.
O número de configurações possíveis das peças, muito superior ao
do xadrez, torna o Stratego extremamente difícil de ser jogado com mestria por
um sistema de inteligência artificial.
Tentativas anteriores, como o 'DeepMind' da Google, baseavam-se em
operações sofisticadas que exigiam grande capacidade computacional e eram
dispendiosas; no entanto, estes modelos não foram suficientemente fortes para
vencer os melhores jogadores humanos de Stratego.
Neste caso, os investigadores propuseram-se a desenvolver um
sistema de IA completo capaz de alcançar um desempenho sobre-humano a um custo
mais baixo, ao qual deram o nome de 'Ataraxos' (palavra grega utilizada para
descrever alguém que não se inquieta ou está livre de ansiedade).
O modelo venceu o jogador mais forte do mundo neste jogo popular
por uma larga margem e também estabeleceu um recorde contra os melhores
jogadores humanos no campeonato mundial.
