O Partido da Terra ( MPT) veio denunciar, através de
comunicado, “que o tráfico de animais selvagens continua a ser um dos crimes
mais lucrativos e devastadores a nível global, com graves consequências para a
biodiversidade e para a segurança das comunidades humanas”.

Refere ainda o comunicado que "O caso do lince-do-deserto
“Bores”, apreendido na Madeira após viver seis anos ilegalmente numa casa
particular, expôs as complexidades e os dilemas deste crime, evidenciando o
papel dos cidadãos que compram estes animais, dos veterinários que não
denunciam a ilegalidade e, surpreendentemente, a falta de atuação do Provedor
do Animal"

Eis o que o diz o comunicado do MPT

“Estima-se que o tráfico de animais selvagens movimenta
milhares de milhões de euros anualmente, afetando diversas espécies em risco de
extinção. Animais como linces, tigres, papagaios e répteis exóticos são
capturados nos seus habitats naturais e vendidos a colecionadores, entusiastas
e até a famílias que, muitas vezes, desconhecem ou ignoram as implicações
legais e éticas de manter uma espécie protegida como animal de estimação.

Muitos cidadãos que adquirem animais selvagens fazem-no
movidos pela curiosidade ou pelo desejo de possuir algo único. Contudo, ao comprar
estes animais, estão a contribuir diretamente para um mercado ilegal que
destrói ecossistemas e coloca em risco a sobrevivência de espécies inteiras. No
caso do “Bores”, o lince foi mantido ilegalmente durante seis anos, com a sua
proprietária a alegar desconhecimento da gravidade da sua ação. No entanto, a
posse de animais selvagens sem a devida autorização é crime, punível por lei.

Um aspeto preocupante é o papel dos veterinários que, ao
tratarem animais ilegais, muitas vezes não comunicam a situação às autoridades.
A ética profissional exige que qualquer ilegalidade seja reportada, mas, como
aconteceu no caso do “Bores”, muitos profissionais optam por tratar os animais
sem notificar as autoridades competentes. Esta omissão perpetua o tráfico de animais,
prejudica a integridade da profissão veterinária e coloca em risco a vida dos
próprios animais.

Outro ponto alarmante deste caso foi a falta de intervenção
do Provedor do Animal. Esta figura, criada para proteger os direitos dos
animais e assegurar o cumprimento da legislação, deveria ter desempenhado um
papel mais ativo na defesa de "Bores". A ausência de uma resposta
eficaz por parte deste órgão levanta questões sobre a sua real eficácia e
comprometimento na proteção dos animais em situações de risco. O caso de
"Bores" deveria ter sido tratado como uma prioridade, considerando as
implicações legais e éticas envolvidas, mas a falta de ação contribuiu para o
desfecho trágico que se verificou.

O caso do “Bores” terminou de forma trágica, com a morte do
lince pouco tempo após a sua apreensão e posterior devolução ao cativeiro. Este
episódio serve como um doloroso lembrete da necessidade de reforçar a
fiscalização e a sensibilização sobre a posse de animais selvagens. É
imperativo que os cidadãos estejam informados sobre os perigos e ilegalidades
do tráfico de animais, que os veterinários cumpram o seu papel na proteção da
vida animal e que o Provedor do Animal seja mais proativo na defesa dos
direitos dos animais.

A luta contra o tráfico de animais é complexa e exige a
colaboração de toda a sociedade. Desde as autoridades que devem intensificar a
fiscalização, até aos cidadãos que precisam de resistir à tentação de comprar
animais exóticos, e aos profissionais de saúde animal que devem agir sempre em
conformidade com a lei e a ética. Só assim será possível reduzir este crime que
tanto prejudica a fauna mundial.”