O Departamento de Estado norte-americano anunciou hoje a retoma da
vendas de armamento ofensivo à Arábia Saudita, suspensas há vários anos por
preocupações humanitárias, e deixou avisos ao Irão quanto ao apoio militar à
Rússia.

O porta-voz do Departamento de Estado Vedant Patel elogiou a
postura da Arábia Saudita, depois de a venda de armas ter sido suspensa devido
a preocupações humanitárias em torno do conflito no Iémen, que entretanto
entrou numa fase de relativa acalmia.

Riade "respeitou os seus termos do acordo, e estamos prontos
para respeitar os nossos", disse Patel em conferência de imprensa em
Washington.

O Departamento de Estado avisou também que o Irão enfrentará
graves consequências se decidir fornecer mísseis à Rússia, argumentando que a
medida agravará o sofrimento na Ucrânia e prejudicará os esforços de Teerão
para apaziguar as suas relações internacionais.

"Estamos preparados para fornecer uma resposta rápida e forte
se o Irão se envolver na transferência de mísseis balísticos, o que acreditamos
que constituiria uma séria escalada do apoio do Irão à guerra de agressão
travada pela Rússia contra a Ucrânia", disse Vedant Patel.

Washington, acrescentou, está em contacto com os seus aliados
europeus sobre relatos dos planos do Irão de "fornecer centenas de mísseis
balísticos à Rússia".

Em busca de armas adicionais para as suas operações na Ucrânia,
Moscovo recorreu a países sob sanções, incluindo a Coreia do Norte.

Os Estados Unidos já tinham imposto sanções aos fabricantes
iranianos de 'drones', cujos produtos eram fornecidos à Rússia.

"Os líderes iranianos também continuam a negar o envio de
quaisquer 'drones' para a Rússia, quando a evidência é clara perante o mundo de
que a Rússia usou esses 'drones' nos seus ataques implacáveis contra a
população civil na Ucrânia", disse Patel.

O porta-voz sublinhou que o novo presidente iraniano, Massoud
Pezeshkian, considerado um reformista dentro da república islâmica, fez
campanha na esperança de melhorar as relações com o Ocidente.

"Esta duplicidade é apenas mais um lembrete à comunidade
internacional de que o regime iraniano carece de credibilidade",
acrescentou.