"Só no primeiro trimestre deste ano, quase 40 mil migrantes chegaram por mar à Europa e pelo menos 51 mil crianças e adolescentes refugiados estão desaparecidos na Europa", alertou o director de serviços da Direcção Regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, na data em que se assinala Dia Mundial do Refugiado.

“Mais do que olhar para os números, devemos perceber que por
detrás de cada refugiado há uma história comum de grande sofrimento", defendeu o responsável citado em nota de imprensa.

"Neste
sentido, acolher refugiados vai muito além de um simples gesto humanitário.
Antes de mais, é um imperativo moral, baseado nos valores de empatia, compaixão
e humanidade”, sublinhou Sancho Gomes.

Por outro lado, o director de serviços da Direcção Regional das Comunidades e Cooperação Externa considera que "este acolhimento é, igualmente, um investimento no futuro de
uma sociedade mais justa, mais multicultural, mais inclusiva e mais próspera”.

“Proporcionar segurança e oportunidades para os
refugiados ou pessoas a necessitar de proteção, não só salva vidas, mas também
enriquece e fortalece as comunidades de acolhimento. A diversidade trazida por
estas pessoas impulsiona e inovação e a criatividade e contribui para o
progresso civilizacional”, reforça.

Segundo Sancho Gomes "as sociedades que acolhem refugiados
tendem a desenvolver maior empatia e coesão social, fortalecendo a comunidade,
através de valores como a solidariedade e a cooperação".

“É também um ato de humanidade”, vincou. “Não se trata
apenas de filantropia, mas de uma questão de solidariedade e partilha de
responsabilidade”, disse, lembrando as palavras do Papa Francisco quando
afirmou que “A Terra é a nossa ‘casa comum’, o que significa que “temos o dever
de acolher o Outro”.

Sancho Gomes vai mais longe e diz mesmo que acolher
refugiados “é uma obrigação, para qualquer país que se diga civilizado. Porque
procurar refúgio é um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos e ajudar a encontrá-lo é garantir a protecção desse direito
internacional".

“É essa a política que o Governo Regional defende e
promove”, atestou, exemplificando com os 900 cidadãos ucranianos que se
encontram na Madeira sob o regime de ‘Proteção Temporária’.

Refira-se que, neste dia 20 de Junho, os números dão conta da existência de mais de 120 milhões de pessoas
deslocadas à força em todo o mundo, como resultado de conflitos, guerras,
alterações climáticas, perseguições, violência e violação dos direitos humanos. Um número que tem vindo a crescer nos últimos 12 anos e que
duplicou em apenas 10 anos. Dos 120 milhões de deslocados, 43,5 milhões são
refugiados e estima-se que este número cresça até o final de 2024.