Ricardo Freitas Bonifácio não foi
brando nas críticas aos governantes, de cá e de lá, à reitoria e aos gestores
da Universidade da Madeira (UMa) e não se poupou a esforços nas reivindicações
para maior envolvimento dos alunos nas tomadas de decisão que implicam o futuro
da instituição, a qualidade do ensino e o apoio da Acção Social.
O presidente da Associação
Académica da UMa voltou a pedir o fim das propinas, que entende serem “um
entrave no acesso e na frequência do ensino superior”, sustentando que o mesmo
não se faz sem financiamento, pediu atenção aos apoios sociais facultados aos
estudantes, bem como alertou para o peso financeiro que a UMa terá de suportar
com as obras que decorrem actualmente para aumento do número de camas das residências
universitárias.
“Se no quadro do Plano Nacional
para o Alojamento temos três obras previstas, como herança ficará na verdade o
peso financeiro para o funcionamento e manutenção destas três importantes
obras, que perante o quadro orçamental atual será incomportável. Os sistemas de
acção social não vivem ou sobrevivem com as atuais dotações, seja em Lisboa ou
no Funchal. Com a sua missão social, as suas receitas no campo da alimentação e
do alojamento não permitem a sua viabilidade para sustentar, por obrigação
legal, um sistema que não é viável sem a compensação adequada do Estado. No
quadro da acção social, falarmos da sua missão no desporto, na cultura e na
saúde é estarmos calados pois, se no alojamento e na alimentação não há
possibilidade de funcionamento adequado, os outros campos são inexistentes”,
sustentou, focando as lacunas que precisam ser superadas.
O representante da classe
estudantil salientou que “a UMa deve ser uma escolha, principalmente, pela
qualidade dos seus cursos e dos seus professores e investigadores”. Não
esquecendo o aumento do número de alunos no presente ano lectivo, Bonifácio focou
a diminuído do número de alunos inscritos em mestrados e doutoramentos, aproveitando,
de caminho, para questionar o que tem feito a Universidade para perceber as
causas desse problema e que medidas têm sido colocadas no terreno para o
corrigir. No âmbito dessas acções, pede o presidente da Associação Académica,
têm de ser ouvidos os alunos.
Quando, onde e como a UMa tem discutido estes problemas? Como fixar os estudantes de licenciatura nos nossos mestrados e doutoramentos e também atrair outros? Os dados têm sido difíceis de obter e a sua discussão ampla não tem acontecido. Senhoras e senhores professores, sejam exigentes com os nossos dirigentes. Nem tudo se resolve com dinheiro, não deixemos que a falta de orçamento seja a única justificação para as áreas em que estamos a falhar.
Mas a UMa não se faz sem
professores, por isso, Ricardo Bonifácio fez questão de apontar, também, a
precariedade que existe em alguns vínculos da instituição com os docentes, bem como com investigadores e bolseiros.
"A classe docente está
precária. Vários dos vossos colegas da UMa não têm segurança e proteção
laboral, perspectivas de carreira e, tal como vocês, estão mergulhados em
burocracia, divididos entre a componente letiva e de investigação. Pressionados
pela necessidade feroz de financiamento, de avaliações, de publicar com impacto
para garantir pontuações e pagar às editoras que, mundialmente, fazem um
negócio milionário que tem ditado, em muitos casos, o rumo da investigação",
disse.
Manifestação silenciosa acha a atenção para “reivindicações
prementes”
No pátio do Colégio dos Jesuítas, cerca de duas dezenas de
estudantes da Universidade da Madeira aproveitaram a sessão solene comemorativa
dos 36 anos da instituição para se manifestarem silenciosamente, empunhando cartazes,
com o que dizem ser “reivindicações prementes” para o bom funcionamento do
ensino superior.
Ricardo Bonifácio explicou aos jornalistas os objectivos
desta manifestação, que despertou a atenção do Ministro da Educação, Ciência e
Inovação, Fernando Alexandre, tendo o próprio conversado com alguns dos
manifestantes. Na base dos problemas apontados está a falta de dinheiro da
instituição, que leva a que sejam descurados alguns aspectos que implicam,
directamente, com a vida dos estudantes.
“A Universidade da Madeira continua, ano após ano, a ser
prejudicada no seu financiamento pela sua insularidade e ultraperiferia. Sem um
financiamento adequado e da qualidade que a Universidade da Madeira merece, não
consegue se desenvolver, não consegue funcionar em plenitude, e, depois, os
estudantes saem prejudicados, quando nem quase condições têm para estarem a
estudar e no seu processo de aprendizagem”, reforçou o representante dos
alunos.
