Foi numa conferência de imprensa,
no Funchal, que André Ventura deu conta da formalização, no final da tarde de
hoje, da denúncia/acusação contra Marcelo Rebelo de Sousa, pelas suas
declarações em relação à compensação que Portugal, na sua opinião, devia
garantir às ex-colónias.

Confirmando os argumentos já
apontados nos últimos dias, o líder do Chega deu conta de que, após escutadas
várias personalidades na área do direito, o partido resolveu avançar com a
acção inédita em Portugal pelos crimes de traição à Pátria, coacção sobre órgão
constitucional e usurpação de funções.

Quase uma hora depois do inicialmente
apontado, André Ventura chegou ao Largo do Chafariz, no Funchal, junto à sede
do Chega, na Madeira, para um encontro fugaz com os militantes e simpatizantes
do partido, mas, acima de tudo, para apresentar, aos jornalistas, os argumentos
que levaram à formalização da referida acção.

Ventura disse que Marcelo Rebelo
de Sousa “abriu o flanco” a que as ex-colónias venham pedir reparação dos danos
pela guerra colonial, apontando mesmo que São Tomé e Príncipe, Angola e Brasil
já terão avançado com esses pedidos.

“Nós não temos de reparar a nossa
história. Nós não devemos reparar a nossa história”, sustentou o líder do Chega,
que veio à Madeira acompanhado do cabeça-de-lista do partido às Europeias, Tânger
Corrêa.

Nos argumentos apontados, Ventura
disse ser as possíveis indeminizações injustas e profundamente desnecessárias,
tendo o Presidente da República colocado o Governo num “mar de problemas”.

Apelando ao PSD para deixar
passar a queixa, em nome da transparência, com o objectivo de apurar os “vários
actos criminosos” de Marcelo Rebelo de Sousa, André Ventura não terminou sem se dirigir às ex-colónias,
salientando a forma como Portugal as tem apoiado e ajudado nas mais variadas
formas, dizendo que esta sim, “é a nossa responsabilidade, esta é a
nossa moralidade”.