"Seja a pairar no céu ou
pousada num poste, ver uma manta é sempre uma experiência inesquecível", começa por referir a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que está a convidar os interessados "a contribuir para a ciência e a conservação, participando no Censo de
Mantas", que irá decorrer nos dias 6 e 7 de Abril.
Esta operação, denominada "Censo de Mantas, pretende contribuir para avaliar o estado da população da
maior ave de rapina diurna que nidifica no arquipélago: a manta (Buteo buteo
harterti), que mede entre 1,10 e 1,30 metros da ponta de uma asa à ponta da
outra. Anualmente, durante um fim de semana, dezenas de voluntários percorrem
as ilhas da Madeira e Porto Santo em busca desta espécie. Os dados recolhidos
por esses voluntários têm permitido aos especialistas aprofundar o conhecimento
sobre diversos aspetos da biologia da espécie, tais como o comportamento e os
habitats mais utilizados", explicam.

Assim, com este censo, "a SPEA acompanha a situação desta espécie na Madeira e
nos Açores, onde é conhecida como milhafre ou queimado (em Portugal
continental, a ave é apelidada de águia-d'asa-redonda). Desde o início do
censo, em 2006, já participaram 2.645 voluntários em ambos os arquipélagos, e já
se observaram perto de 10.000 aves, elevando esta iniciativa como o maior
projeto de Ciência Cidadã coordenado pela SPEA", reconhece.
Por isso, renova-se o convite a "toda a gente a juntar-se a nós para identificar esta ave de rapina,
que é também a maior do nosso arquipélago. Junte a sua família e amigos para
contribuírem para a ciência durante um passeio de fim-de-semana. A metodologia
é bastante simples e precisamos de um bom número de observadores para cobrir a
maior área possível e obter uma estimativa populacional de confiança", diz
Elisa Teixeira, técnica da SPEA, citada no convite.
"As mantas podem ser observadas um pouco por toda a ilha, desde as zonas
florestais até aos centros urbanos. São frequentemente avistadas a voar ou
pairar no céu, ou pousadas em cima de muros, postes ou outros pontos altos de
onde possam avistar os roedores de que se alimentam. Estas águias são
predadores de topo: comem também pequenas aves, insetos e minhocas, sendo
importantes para a regulação dos ecossistemas. Apesar da crescente
consciencialização sobre os efeitos positivos desta ave nos ecossistemas, ainda
enfrenta desafios como o atropelamento, envenenamento e a eletrocussão em
linhas elétricas", identifica alguns possíveis 'spots'.
Por exemplo, em 2023, "52 miúdos e graúdos voluntariamente percorreram mais de 750 km ao longo
da Ilha da Madeira e Porto Santo. Foram observadas um total de 151 mantas,
sendo possível estimar que existem 278 aves no nosso arquipélago".
Assim, para participar na edição de 2024 do censo, contacte a SPEA através do
email [email protected] para
definir o seu percurso. Para dar a conhecer todos os pormenores e esclarecer eventuais dúvidas, a
SPEA organiza ainda o webinar gratuito 'Censo de Milhafres/Mantas' no dia 27 de Março.
"Agradecemos a todos os voluntários que têm participado e apelamos a que se
juntem novamente a nós nesta 17.ª edição", conclui Elisa Teixeira, em antecipação.
