O escritório das Nações Unidas na Síria reafirmou no sábado que vai
continuar a operar no país apesar da situação de guerra civil, mas decidiu
deslocar pessoal "não essencial" para fora do país como "medida
de precaução".
O coordenador da ONU no país, Adam Abdelmoula, afirmou em
comunicado que "os recentes rumores de que a ONU está a evacuar todo o seu
pessoal são falsos".
"A ONU continua firmemente empenhada em manter a sua promessa
de prestar assistência vital ao povo da Síria neste momento crítico",
acrescentou Abdelmoula.
A este respeito, o coordenador da ONU apelou às partes em conflito
"para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional
humanitário" e recordou que "os civis devem ser protegidos e os
trabalhadores humanitários devem ser autorizados a realizar as suas missões sem
obstruções".
"O acesso irrestrito e seguro às pessoas necessitadas é um
requisito fundamental", acrescentou.
As hostilidades dos últimos dez dias na Síria deslocaram mais de
370.000 pessoas, muitas das quais procuram refúgio no noroeste do país "e
outras permanecem encurraladas nas zonas da linha da frente, incapazes de
escapar. As vítimas civis estão a aumentar, incluindo mulheres e crianças,
sublinhando a necessidade urgente de uma ação humanitária coordenada",
afirmou.
A este respeito, a ONU "continua operacional na Síria, com
pessoal no terreno a assegurar a continuação dos esforços humanitários vitais,
quer se trate da distribuição de água, alimentos ou assistência médica, estamos
empenhados em chegar aos necessitados, onde quer que se encontrem",
acrescentou.
Em 27 de novembro, uma aliança de grupos da oposição, liderada
pelos islamitas da Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham,
ou HTS, em árabe), lançou uma ofensiva que conseguiu, em dez dias, conquistar
um vasto território e as cidades de Alepo e Hama.
Estão agora a cercar a cidade de Homs, a norte de Damasco, um
ponto estratégico que, se for tomado, deixará o governo de Bashar al-Assad em
Damasco isolado das províncias marítimas onde tem a sua base de apoio social.
Paralelamente, nos últimos dois dias, outros grupos rebeldes
tomaram o controlo das capitais de três províncias do sul da Síria e cercam
agora Damasco pelo sul, que é o alvo final dos rebeldes e onde al-Assad
permanece, confirmou hoje o seu gabinete.