"O ataque informático ao Sistema de Saúde
da Região Autónoma da Madeira gerou consequência profundas, as quais assumem
uma dimensão ainda mais preocupante quando consideramos que o dito sistema de
saúde depende directamente de dados precisos, actualizados e acessíveis de modo
a poder desenvolver com precisão e eficácia a sua acção, incluindo o diagnóstio
e o tratamento de doentes. A usurpação indevida de dados clínicos compromete a
integridade desses mesmos dados, que podem, agora, ser usados para todo o tipo
de fins, até os menos éticos, e também gera atrasos nos tratamentos, colocando
muitos utentes sob o risco de diagnósticos imprecisos e até de vida", começa por dizer Miguel Castro, presidente do CHEGA-Madeira e cabeça de lista às eleições legislativas

Face a toda esta situação, o
CHEGA-Madeira realça que a gravidade da situação criada e a multiplicidade das
suas ramificações exigem, de quem lidera o governo regional e este sector, em
específico, esclarecimentos claros, transparência na acção e o assumir de
responsabilidade perante as famílias afectadas e a população, em geral.

A primeira pergunta que naturalmente se coloca é como é que um
sistema tão fundamental para o funcionamento público estava tão exposto a este
tipo de ataques, especialmente quando o que temos visto da parte do governo
regional é uma propaganda constante de investimentos e de anúncios que nos
levaria a pensar que o serviço de saúde está a funcionar devidamente e que a
informação que é fundamental para a sua operação está devidamente
salvaguardada. Afinal, este governo, que tem gasto tanto do nosso dinheiro para
fins questionáveis, tem sido claramente negligente numa área numa área como a
cibersegurança, comprovando, uma vez mais, que, afinal, a prioridade do PSD e
do CDS é dar de ganhar aos amigos da hotelaria e da construção.”
— Miguel Castro

Para Miguel Castro, as questões não se
ficam por aqui. Pelo contrário, o líder do CHEGA-Madeira enfatiza a enorme
falta de responsabilização que tem pautado este processo.

Decidimos não reagir
imediatamente a esta crise, pois quisemos dar ao governo, ao secretário da
Saúde e à administração do SESARAM algum tempo para virem a público e assumirem
as suas responsabilidades. Todavia, mais de uma semana depois dos ataques,
notamos que o comportamento é o mesmo que foi adoptado em tantas outras crises
que a Madeira enfrentou, ou seja, quando os problemas batem à porta, as pessoas
que tomam decisões estão de férias ou não estão na Região, e, se não fosse a
força de vontade do pessoal operacional, não havia uma resposta. Depois, vêm os
políticos do PSD e do CDS dizer que está tudo controlado e planeado, quando
todos nós sabemos que, em matéria de cibersegurança, como em tantas outras
áreas, a negligência é a grande marca deste governo, no qual certos
secretários, directores regionais e uns tantos outros querem apenas resolver a
sua vida e criar fortuna, e não servir a população.”
— Miguel Castro

Miguel Castro aponta que a
hipotética recuperação dos dados dos utentes não significa o fim das ameaças
para a população.

“Como todos sabemos, mesmo que os sistemas afectados sejam
recuperados e os dados sejam restaurados, o perigo persiste, pois os criminosos
que estão pode detrás disto podem usar as informações sensíveis que usurparam
para causar danos financeiros e sociais, acedendo às nossas contas bancárias e
aplicações, expondo a nossa vida pessoal e orquestrarndo um número de fraudes
que colocam em risco todos os nossos activos digitais. Estamos, de forma muito
real, em perigo – e esse perigo não termina, de forma alguma, com a recuperação
dos dados", acrescentou.

Miguel Castro questiona ainda o anunciado uso das verbas do PRR para
resolver problemas de segurança que já deveriam ter sido acautelados.

É
ofensivo que o governo venha usar o dinheiro do PRR para resolver problemas de
segurança que já nem deviam existir. O dinheiro que era para apoiar as famílias
que estão sufocadas, as empresas que estão esmagadas pela carga fiscal e os
cidadãos que desesperam por habitação digna está a ser queimado em obras
inúteis, que alimentam os mesmos de sempre, e para tapar buracos gerados pela
inépcia de quem manda. Como já apontamos tantas vezes, este é um governo de
prioridades erradas.”
— Miguel Castro

O líder do CHEGA-Madeira reforça
a inquietação do partido com o facto do governo e a liderança do SESARAM não
assumirem, como é seu dever, as responsabilidades que lhes assistem pelo caos
instalado no serviço de saúde da Região.

“Somos uma Região onde a culpa morre solteira.
O caos impera num serviço nevrálgico para a vida das pessoas, o governo
manipula, a todo o custo, a informação para nos dizer que tudo está controlado
(já ouvimos isto antes), os profissionais do sector são pressionados para que
fiquem calados e não divulguem a magnitude da situação, os cidadãos enfrentam
consequência que vão muito mais além da recuperação dos dados, mas ninguém se
demite! Acima de tudo, o que interessa ao secretário e às chefias do SESARAM é
jogar areia os olhos das pessoas, preservar o seu posto, garantir o seu
salário, garantir as suas regalias e gastar ainda mais do nosso dinheiro, que
tanto nos custa a ganhar, para resolver uma situação criada apenas pela sua
incompetência. Quando é que estas pessoas são postas na rua?”, concluiu.