O deputado do PCP esteve, hoje, no Bairro do Hospital, para denunciar aquilo que considera
ser "apenas obras de fachada no parque habitacional público".

Tratam-se de obras, segundo Ricardo Lume, promovidas pelo
Governo Regional da Madeira e, em particular, por parte da empresa pública Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), com o objectivo de "esconder os
problemas estruturais das habitações que estão à sua responsabilidade" e que "transformam a vida de quem reside nos bairros sociais um
verdadeiro inferno".

"Ao longo dos últimos anos o
Governo Regional tem promovido um conjunto de obras só para 'Inglês
ver' nos bairros sociais", acusa e acrescenta: "São obras apenas nas fachadas
dos prédios, que custam milhões de euros ao erário público, mas que não
dão resposta aos problemas estruturais dos edifícios habitacionais".

De acordo com o deputado, o exemplo claro deste problema é o que aconteceu no Bairro do Hospital, "onde só
em 2018 foram investidos mais de 700 mil euros na reabilitação de fachadas
e áreas comuns do edificado habitacional, mas os moradores continuam a
denunciar o facto de existirem problemas estruturais nos prédios, nomeadamente
infiltrações e, até mesmo, existem habitações onde a possibilidade dos
tectos desabarem é uma realidade".

Perante estas situações "que
tornam difícil a vida de tanta gente nos bairros sociais dependentes do Governo
Regional", o PCP considera "inaceitável e incompreensível o facto da IHM deixar
ao abandono os seus inquilinos". Por isso, "vai solicitar esclarecimentos ao Governo
Regional e ao IHM sobre estas lamentáveis situações".

Para o PCP, problemas como
estes sentidos pela população residente no Bairro do Hospital demonstram "como a propaganda dos governantes está em desconformidade com a sua
intervenção, desligada da vida concreta das pessoas dos bairros sociais, mais
não passa de uma manobra para anestesiar ou promover falsas expectativas".

"O Orçamento da Região para
2022 tem mais de 111 milhões de euros para Habitação e Serviços Colectivos,
estas verbas devem de ser utilizadas para dar efectivamente resposta aos
problemas habitacionais dos madeirenses e não apenas para fazerem obras só para 'inglês ver'", concluiu.