O antigo líder nacional do PSD, Luís Marques Mendes, revelou,
esta noite, no seu espaço de comentário no Jornal da Noite da SIC, que a hipótese
de viabilização da proposta de Orçamento de Estado para 2022 com os votos dos
três deputados do PSD-Madeira chegou a ser colocada em cima da mesa na reunião
do conselho de ministros extraordinário da passada segunda-feira, tendo a ideia
sido posta de parte após uma intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros,
Augusto Santos Silva, que considerou que tal possibilidade traria um problema
de credibilidade ao executivo.

“Quem matou a ideia nesse conselho de ministros foi o
ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, que fez uma intervenção muito
firme, muito categórica, a dizer que isso era uma perda de credibilidade para o
Governo. O assunto foi falado, alguns ministros eram nesse sentido, o ministro
Santos Silva foi categórico e o primeiro-ministro também foi nessa linha de
orientação”, descreveu o comentador social-democrata.

Marques Mendes referiu que “essa negociação poderia dar
provavelmente a passagem do Orçamento” mas acha “bem” que a ideia não tivesse
vingado, por acarretar “uma perda enorme de credibilidade política”. “Era uma
espécie de segundo orçamento limiano, que foi um desastre há uns anos atrás e
também era uma incoerência enorme de António Costa, porque tinha dito numa
entrevista ao ‘Expresso’ há um ano atrás que se tivesse que negociar o
Orçamento com o PSD o governo acabava. Ora o PSD-Madeira não deixa de ser PSD.
Portanto, acho que o ministro Santos Silva fez bem e o primeiro-ministro fez
bem“, concluiu.