“Não se espere que o Presidente crie um afrontamento com o Governo durante a pandemia” afirmou o Presidente da República (PR). Em abono da verdade não cabe ao PR afrontar o governo seja antes, durante ou após a pandemia nem alguém com um mínimo de bom senso o exigiria. O que se espera é que o PR exerça as suas funções tendo sempre presente a sua qualidade de “árbitro” do “jogo” político e democrático a quem compete com a máxima isenção possível fiscalizar e fazer cumprir as regras da Constituição da República, mas sem nunca ignorar que a um árbitro cabe assinalar e sancionar as “faltas” quando for caso disso, mas jamais manifestar qualquer tipo de apreciação sobre as “equipas” intervenientes no “jogo”, neste caso o governo e os partidos políticos, por mais que lhe apeteça aplaudir uma “boa jogada” ou assobiar quando falham um “golo feito”. Afirmou também o PR que as “críticas” ao governo são feitas em privado, portanto longe da opinião pública (OP). Assim sendo fica no ar a questão porque não proceder de igual modo no que concerne aos elogios? Ao criticar em privado e ao elogiar publicamente o governo e ainda que possa não ser intencional, o PR está a contribuir para uma espécie de branqueamento junto da OP de eventuais falhanços do governo no cumprimento das suas obrigações favorecendo-o e aos partidos que o suportam em detrimento dos partidos da oposição. Julgar a atuação política do governo, dos partidos que o suportam e dos partidos da oposição compete a uma OP que resulte conforme a perceção que cada cidadão tiver dessa atuação política, sem ser eventualmente influenciado no seu julgamento por elogios ou críticas que o PR possa fazer publicamente ao governo ou aos partidos políticos, até pelo impacto da sua alegada “magistratura de influência” nessa mesma OP. Vivendo em democracia não se pretende do PR qualquer “afrontamento” nem tão pouco elogios públicos seja ao governo ou aos partidos políticos, apenas a isenção inerente ao exercício do cargo.

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