Os centros de dia vão deixar de funcionar mas o apoio vai
continuar a ser prestado dentro do possível aos utentes, esse é o compromisso
pelo menos por parte do Centro de Dia de Santana e do Centro de Dia de Santa
Cecília, em Câmara de Lobos. Se o primeiro está integrado numa estrutura que já
tem habitualmente serviços associados que nesta fase facilitam essa adaptação,
como a confecção e distribuição de refeições ao domicílio e apoio de lavandaria
e cuidados de higiene, o segundo, a ter em conta o que aconteceu na última
interrupção da actividades, ajustar-se-á para dar resposta à nova realidade.
Certo é, no entanto, que as famílias são chamadas a um maior compromisso.

A notícia de que a actividade dos centros de dia será suspensa a partir de sexta-feira está hoje na edição do DIÁRIO. Rui Moisés vê a medida como positiva nesta fase. “Concordamos 100% com a medida porque trabalhamos com as
pessoas há muito tempo, conhecemos as pessoas e sabemos da fragilidade”. As dificuldades
acrescidas de quem gere o serviço são menorizadas face à importância de proteger
os idosos, os técnicos e as famílias, que acredita ficam assim mais seguras.

A maior parte dos utentes tem autonomia e estes são os que
passam melhor por esta mudança, conseguem ir ao supermercado, alguns tratar das
suas refeições. Outros contam com o apoio familiar, ainda que em alguns casos ajudados
pelas estruturas. Mas até nestes casos reconhece que as pessoas ficam tristes,
porque ficam sozinhas, os familiares vão trabalhar, e perdem o convívio e a
rotina.

Há ainda os restantes utentes, que não têm família com que
contar ou que não têm autonomia, que obrigam a uma coordenação com outros
serviços de apoio, nomeadamente da Segurança Social, para garantir que não
ficam sós, isolados e esquecidos.

No caso de falta de autonomia, “as famílias têm que
encontrar uma alternativa, uma solução”, admite. Nós obviamente que não
deixamos as pessoas, os nossos utentes, entregues”. As ajudantes domiciliárias da
associação e através da Segurança Social que disponibiliza no concelho as
ajudantes informais procuram chegar a quem não tem rede de suporte. “Nessas
situações também se contacta a Segurança Social a dizer ‘Atenção, é preciso deitar
um olhar porque essas pessoas vão estar só durante estes dias’. E fazemos a
articulação nos casos em que seja mais necessário”.

A Associação Santana Cidade Solidária vai alargar o serviço
de refeições ao domicílio aos utentes do centro de dia que necessitem, conta
entregar para além das 100 habituais mais umas 20.

“Nós temos estas respostas sociais, é mais fácil de
articular”, reconheceu Rui Moisés, embora do ponto de vista dos recursos
humanos e da logística se torne um pouco mais complicado.

Renata Barros ainda não sabe bem como é que as coisas se vão
processar, teve conhecimento da notícia ontem mas acredita que tendo em conta a
suspensão anterior, os idosos irão para as suas famílias, que serão contactadas.

A preocupação maior são os idosos que vivem sós. A esses
deram apoio ao nível das refeições. Um funcionário encarregou-se ainda de
assegurar o serviço de supermercado e farmácia para essas pessoas. “Aquelas
famílias que tinham meios, então faziam”, conta a coordenadora.

De qualquer forma, contou, procuraram ligar regularmente
para saber como estavam os agregados a lidar com a nova realidade e
simultaneamente distribuíram propostas de actividades para os utentes
desenvolverem no período em que ficaram em casa. “Eu ia entregava, colocava na
portada. Depois ia buscar quando terminavam. Estava sempre em contacto. Até porque
não sabíamos até quando é que ia”.

Tiveram apenas um caso mais complicado. Nesse caso, em articulação
com a Segurança Social e o centro de saúde, arranjaram uma alternativa, uma vizinha
para olhar pela senhora, enquanto diariamente passavam pela casa e asseguravam
as refeições.

A maior parte ficou a cargo das famílias, contou,
encarregando-se a equipa do centro de dia de apoiar e manter a ligação, a
presença.