O Sindicato dos Enfermeiros da Madeira e o Sindicato
Independente dos Médicos entendem que a decisão do SESARAM (Serviço de Saúde da
Região Autónoma da Madeira) de testar quinzenal os profissionais de saúde que
estão na linha da frente da covid-19 e no Serviço de Urgência é benéfica, tanto
para o utente, como para o profissional e são a favor da nova medida. A notícia faz manchete hoje na edição do DIÁRIO.
Márcia Ornelas, do Sindicato dos Enfermeiros, entende que faz sentido esta
abordagem, atendendo ao facto de já ter havido propagação do vírus em meio
hospital, o caso da utente que foi diagnosticada com covid-19 no Hospital dos Marmeleiros
e que feitos os estudos epidemiológicos foi concluído que havia mais pessoas infectadas,
nomeadamente profissionais de saúde. “Acaba por ser uma mais-valia para os profissionais
de saúde, não só para benefício próprio, mas também para benefício do próprio utente”,
recordou, alertando que os médicos e enfermeiros podem estar positivos e
assintomáticos, e porque não têm sintomas vão continuar a exercer as suis funções.
“É também para proteger o utente para que não haja depois estas cadeias todas.”
A enfermeira espera que a médio prazo a medida traga benefícios.
Márcia Ornelas compreende o desconforto dos testes, e tem consciência
de que muitos colegas enfermeiros não vão gostar de ter de realizar o teste de
despiste da covid-19 de 15 em 15 dias, há pessoas que toleram mais o
procedimento, outras menos. “Vai haver sempre um descontentamento. Mas se
formos a avaliar a nossa realidade, em que os números estão a crescer diariamente
a olhos nus, isso é uma medida que vai ser benéfica tanto para os utentes como
para os profissionais, a ver se conseguimos que a propagação não continue a
esta velocidade que estamos a ver diariamente”, disse.
Quem também alinha pela testagem quinzenal é o Sindicato
Independente dos Médicos. Testar é sempre positivo, declara a médica Lídia
Ferreira. “Temos que saber quem está e quem não está contaminado para se
conseguir controlar os focos, até para protecção dos próprios profissionais”, sublinhou.
A presidente do SIM pede que estas medidas de combate à covid-19 sejam acompanhadas
de estratégias, nomeadamente sobre o que acontece depois a estes profissionais
que testam positivo. “O que vai acontecer em termos de remuneração ao profissional?
Qual o plano estratégico que vão adoptar? Isso é muito importante”, exemplifica.
A médica sabe que as medidas vão sendo tomadas a par e passo
consoante a evolução da doença, o que não invalida que os esclarecimentos sejam
prestados pelas autoridades. “Estas medidas devem vir acompanhadas de outras
informações para as pessoas saberem e ficarem também mais em paz”.
“A testagem é um aborrecimento, mas eu pessoalmente
concordo. Nós temos de proteger os profissionais de saúde (…), até para
proteger os doentes”. E recorda que apesar de todos os cuidados, “mesmo assim
há falhas”.
Lídia Ferreira elogia o trabalho que vem sendo feito até agora.
“Vê-se que está a haver um empenho e vê-se que está a haver uma atenção, e que
está a ser adoptada uma atitude de uma estratégia a para e passo, a tentar
sempre conquistar, a correr e a ir respondendo, para tentar dar respostas que
antecipem alguns problemas”. E diz que é preciso confiar nas estruturas. “Não é
que não sejamos críticos, mas temos de confiar que as coisas estão a ser
pensadas como deve ser, que as coisas estão a ser introduzidas e analisadas e à
medida que todo este processo decorre vão havendo ajustes.”
Alargando a análise, discorda sim da diferenciação da
atribuição do subsídio de risco apenas aos profissionais que estão na linha da
frente da covid-19, pois entende que os outros profissionais estão também em
risco, até acrescido, pois ao atenderem utentes podem contactar com casos de
covid-19 antes mesmo de serem diagnosticados e com menor protecção do que os
que estão na linha da frente e estão preparados e equipados para esses casos
positivos. “Estão a lidar com toda uma população que em qualquer momento estão
sujeitos e não sabem”, alertou.

