Boa noite!

As Autoridades de Saúde da Madeira passaram o dia a
pregar moral e bons costumes aos jornalistas. Isto porque um médico infectado com covid-19,
não se sabe onde e quando, foi notícia, em diversos momentos actualizada, à
medida que iam sendo conhecidos mais elementos informativos, numa primeira fase
deliberadamente ocultados e depois divulgados a contra gosto.

O sermão inclui exortações ao “maior rigor,
transparência, assertividade e diálogo”, à importância da “validação de todas
as situações reportadas junto de fontes oficiais e institucionais”. Mais, repudia “a desinformação e a ausência de fontes
credíveis que são geradoras de insegurança junto da população” e apela “ao bom cumprimento das regras deontológicas
que regem a atividade de todos os profissionais”.

E para que conste define como principal missão do jornalista “comunicar
a verdade dos factos”, considerando que todos os seus profissionais devem
assumir-se como “parceiros”!

Bem prega a Saúde, feita de entidades que frequentemente desrespeitam
regras básicas decorrentes do exercício do contraditório, quando mandam para
todos as respostas às questões colocadas por alguns, de modo a esvaziar
assuntos; que omitem informação relevante que deviam disponibilizar, de são exemplos
os dados de desempenho por actualizar há mais de um ano, e os números das listas de espera; que acenam com a
deontologia, da qual fazem tábua rasa pois perante notícias alusivas à falta de
ética dos seus pares quase sempre preferem perseguir o mensageiro.

Às Autoridades de Saúde da Região - em
especial, às que têm responsabilidades na administração da coisa pública e que
se armam agora em reguladores dos media sem que tenham competência para tal - o
que se pede é transparência, celeridade e lealdade no seu relacionamento com os
órgãos de comunicação social, sabendo de antemão que os estatutos e os princípios
que os regem são inequívocos e escrutináveis.

Se têm razões de queixa sobre o desempenho da profissão de
jornalista devem agir em conformidade em local próprio, mas deixem-se de
generalidades abusivas sobre um trabalho que não dominam e nem sempre deixam
concretizar da melhor forma. Por isso, sugerimos que o tempo utilizado para tentar denegrir os
órgãos de comunicação social e os seus profissionais seja redireccionado para
as respostas atempadas aos pedidos de informação pelos mesmos solicitados.
Isso, sim, contribuirá para uma informação ainda mais precisa por parte da
comunicação social madeirense.