O director regional das Pescas, Rui Fernandes, deslocou-se esta manhã ao Porto de Abrigo do Porto Moniz para se inteirar do acontecimento que marca a actualidade no concelho do Norte da Madeira. Apesar da viagem se ter cingido ao afundamento da embarcação 'Ilha do Sol', a verdade é que foram as críticas de alguns pescadores que motivaram uma explicação do responsável pelo sector.
Em causa está a falta de apoio aos pescadores. Fruto da pandemia, a tutela prometeu e desenvolveu um quadro de sustento financeiro devido à perda de rendimentos resultantes da estagnação do sector. No Porto Moniz, grande parte dos homens que dedicam a sua vida à faina reclamavam que ainda não receberam nada e acrescentaram que até já foram chamados por duas vezes para preencher a documentação, isto porque o prazo da primeira 'chamada', alegadamente, prescreveu.

"É um apoio financeiro que foi decidido pelo Governo Regional devido à pandemia
e decidido na condição de se manter a actividade. A falta do abastecimento
público de um bem alimentar de primeira necessidade, como é o peixe, levou a
que o Governo decidisse criar um apoio financeiro que incentivasse a manutenção
da actividade, embora com regras específicas. Essa medida foi implementada e
abriu-se um período de candidaturas até 15 de Julho. Portanto, tivemos até essa
data a recolher toda a informação”, começou por justificar Rui Fernandes,
garantindo que “está a ser feita a avaliação das múltiplas candidaturas
apresentadas” e que “muitas já foram aprovadas".
Algumas dezenas de contratos-programa já foram assinados com os armadores e
nos próximos dias continuarão a ser feitos. Todos estes procedimentos
administrativos são obrigatórios. Estamos na recta final desse processo e as
pessoas que estão em condições de receber os apoios vão começar a receber nas
próximas semanas.
Quanto ao afundamento do barco, Rui Fernandes assumiu que se deslocou ao Porto Moniz assim que tomou conhecimento "do que
aconteceu durante esta noite" e "enquanto responsável pelas pescas não queria
deixar de manifestar" a sua "preocupação com os pescadores".
"Inteirámo-nos da situação em que cada um está.
Felizmente, desse ponto de vista, não há situações graves a reportar. Há uma
pessoa que está em observação e que foi atendida no Centro de Saúde local, mas
que não inspira grandes cuidados. Importa-nos, enquanto entidade responsável,
apurar as operações de resgate da embarcação, no sentido de termos a percepção
de que não há riscos ambientais acrescidos. Sabemos que a embarcação tem
combustível a bordo e é importante que se minimize o risco de contaminação das
águas", destacou.
Rui Fernandes assumiu também que “junto do armador e pescadores afectados
por este acidente”, a Direcção Regional de Pescas procurará “ajudar tanto
quanto for possível, com todos os meios que estejam ao alcance” para que estes
profissionais possam “recuperar do acidente e voltem à sua actividade, para
puderem sustentar as suas famílias, o que é extremamente importante”.


