
(Para ler a ouvir Simone
em “Pão e Poesia”)
Não há ninguém que não deseje ser feliz. A felicidade, porém, não tem uma definição única.
Cada um de nós, quando manifesta o desejo de ser feliz, o mais certo é almejar coisas diferentes.
Na antiga Grécia, Aristipo de Cirene (c. 435 - 356 a.C.), contemporâneo de Sócrates, defendia o hedonismo, teoria filosófica que apregoa que o caminho para a felicidade se consegue através da procura do prazer mental e físico.
Alguns anos depois, Epicuro de Samos (341 a.C. - 270 a. C.), criador do Epicurismo, defendia que o prazer devia ser regido pela razão. Preconizava uma avaliação moral do prazer.
Modernamente, os filósofos tendem a encarar a felicidade como um projecto colectivo. Há mesmo países, como o Dubai, que criaram um Ministério da Felicidade.
No século XVIII, o filósofo inglês Jeremy Bentham definiu como bem supremo a “felicidade do maior número” de pessoas possível, transferindo para os Estados a responsabilidade por criar condições para que isso acontecesse.
No entanto, durante os séculos XIX e XX, os governos avaliaram o sucesso da sua governação por parâmetros bem diferentes. As guerras, as medidas de carácter político, social e económico, que foram tomadas, pouco tinham em conta a felicidade de cada cidadão.
Nos nossos dias, porém, o entendimento é de que a felicidade deve ser fruto de decisões pessoais, embora os Estados devam providenciar condições para que os cidadãos possam prosseguir o intento de serem felizes.
Habitação, educação, paz, progresso, economia estável, rendimento aceitável, saúde são condições fundamentais para que possamos tentar ser felizes, seja qual for a definição de felicidade.
Ao Estado deve incumbir providenciar as bases materiais necessárias. Não lhe deve competir condicionar os cidadãos nas suas opções no caminho da felicidade. Ser feliz dá muito trabalho.
A felicidade não é um estado perene. Os momentos de felicidade devem ser conquistados permanentemente. Sendo certo que alcançar a felicidade depende mais das expectativas individuais do que das condições objectivas.
Quantas vezes enfrentamos situações delicadas na nossa vida e, no entanto, não sentimos infelicidade? Outras vezes, temos notícias ou vivemos situações agradáveis e não sentimos a euforia que seria previsível.
Reagimos, positiva ou negativamente, às nossas sensações, muito mais do que a eventos exteriores. Só quando experimentamos sensações agradáveis é que sentimos que estamos a viver momentos de felicidade.
O que valorizamos, as sensações que experimentamos são únicas e individuais. Por isso, o que nos faz felizes é subjectivo, tem a ver com as nossas sensações e é, muitas vezes, difícil de perceber pelos outros.