A 22 de setembro, os madeirenses e portossantenses vão decidir quem governará a Madeira nos próximos 4 anos. Clarinho como água - ou vai ganhar Cafôfo, ou vai ganhar Albuquerque. Um dos dois será o futuro Presidente do Governo Regional da Madeira.

O que representa cada um deles? Um, representa a mudança. Outro, a continuidade. Em qualquer um dos casos, teremos, quase de certeza, um Governo de Coligação.

Para melhor decidir é preciso que as pessoas entendam os efeitos práticos do seu voto. Vamos a jogo. E que todos saibam as regras do jogo. As últimas eleições europeias foram muito elucidativas.

Julgo ser claro para todos que a abstenção pode determinar quem ganha as eleições. Apesar de ser uma decisão legítima e respeitável é preciso ter consciência que quando não se vota, a escolha fica nas mãos de quem vai votar. E, quanto maior a abstenção, maior a probabilidade do partido com maior número de militantes vencer.

Os votos nulos e brancos são outra forma de reivindicação, passível de interpretação política, mas sem qualquer efeito prático porque não contam para absolutamente nada. Entendam, de uma vez por todas, que escrever vernáculo nos boletins de voto apenas serve para atualizar o vocabulário dos membros das mesas de voto que ali estão a prestar um serviço público.

Quer saber a diferença que faria se em vez de votar nulo ou branco tivesse escolhido um partido? Se, por exemplo, em vez de voto nulo ou branco tivesse escolhido um partido nas últimas eleições para o Governo Regional, em 2015, o seu voto poderia eleger 2 deputados à sua escolha.

Por uma questão de princípio ideológico de defesa da democracia, sou adepta de que é sempre preferível votar. Seja em quem for.

Contudo, é preciso ter em atenção que a votação em múltiplos partidos pequenos dilui os votos. Ao diluir os votos, pode o seu voto não eleger qualquer representante. Nas últimas eleições para o Governo Regional, os 4 partidos mais pequenos não elegeram qualquer representante na Assembleia.

Nos últimos tempos, surgiram vários novos partidos. Apesar de serem importantes para a discussão pública das questões que nos afetam, a verdade é que o voto nestes partidos podem não ter qualquer expressão no resultado das eleições. Ao não ter expressão, o partido mais votado acaba por ser beneficiado com maior número de deputados.

Perceber a dinâmica de cada partido é fundamental para não se sentir frustrado com o seu voto. Vote em quem quiser mas saiba o efeito prático do seu voto.

Até Setembro, todos os candidatos terão a oportunidade de nos presentear com as suas ideias para o futuro da Madeira. É preciso ir acompanhando e lentamente avaliar o que cada partido pretende.

A lista de deputados apresentada por cada partido será um elemento importante na avaliação. Mérito e competência exige-se sobretudo com um cenário de coligação à vista. Cada partido tem de estar preparado para ter deputados capazes de discutir e esgrimir argumentos na Assembleia e não só para levantar o dedo na votação.

Há muito por fazer e esclarecer. Propostas de programa de Governo estão ainda por apresentar e outras necessitam ser melhor explicadas. Todos nós só temos a ganhar se esta campanha se centrar em ideias e projetos para a Madeira e o Porto Santo. Aguardemos sem pressas. É preciso ouvir.

Seja qual for a nossa decisão, tenhamos consciência e certeza do que queremos para o futuro. Na minha opinião, face ao cenário político atual e apesar de não estarmos no bipartidarismo, a escolha, em setembro, é entre a mudança de regime ou a sua continuidade. Cafôfo ou Albuquerque?