Na ‘política do cerco’ as prioridades passaram a ser: manter as máquinas partidárias no poder; isso não só elimina o debate de ideias, como afasta os tecnocratas competentes dos lugares de decisão em prol dos ‘boys’ do partido, descredibilizando a política, favorecendo o aparecimento dos movimentos ‘pelo Povo’, e das ideologias extremistas. A democracia tal como a conhecemos está em transformação, eu diria mesmo em ebulição.

Nas sociedades europeias mais informadas a política do cerco é vista como uma subversão da democracia moderna retirando ao Povo a sua capacidade de decisão, o herdeiro legitimo do poder nas Repúblicas. Veja-se, por exemplo, o que está a acontecer em França onde a tentativa de forçar ideias políticas unilaterais levou à contestação em massa e ao aparecimento do movimento dos ‘coletes amarelos’, devolvendo o poder ao Povo e abrindo caminho para um (novo) debate de ideias. Com o movimento dos coletes amarelos, o astuto Presidente Emmanuel Mácron foi forçado a dialogar, organizando debates de ideias com várias organizações e grupos profissionais, a decorrer durante os próximos meses. Percebendo a ameaça das forças políticas extremistas que assola a Europa (e o Mundo), Mácron usou o bom senso, devolvendo ao Povo o que é do Povo, a decisão do que pretendem para o futuro do seu país, e tudo isto fora do ambiente inóspito das eleições.

Aqui na Região já assistimos ao cerco político na ‘era’ das grandes obras públicas. Determinados Concelhos e Freguesias viram adiados os seus projetos até que os membros da mesma ‘família’ foram eleitos para concretizar as ideias anteriormente propostas pelos ‘incompetentes’ de outrora. Naturalmente, que isto criou muitos ressabiamentos políticos e sociais, e naturalmente tudo isto está a ser ‘purgado’ pelas alegadas vítimas da perseguição política. No entanto, as ‘vítimas’, quando não são devidamente ‘tratadas’ podem tornar-se, tiranos ou simplesmente acabar por pactuar com os abusadores. Parece-me uma ‘patologia’ complexa e difícil de reverter.

O cerco político, ou seja, o debate político unicamente centrado nos ‘partidos’ e nas ‘famílias’ políticas, esgota a oportunidade de chamarmos à discussão os tecnocratas, os conhecedores das realidades regionais nas mais diversas vertentes; esgota-se mais uma oportunidade para o debate de ideias e com isto hipotecamos (novamente), a aproximação de uma região ultraperiférica à realidade política Europeia. É isto que queremos para o futuro da Madeira? Para quando o debate de ideias e o devolver do poder ao Povo?