Desde 2008 que o transporte de passageiros entre a Madeira e o continente Português está liberalizado. Em princípio, o mercado livre serve sempre melhor o consumidor do que o mercado com um único operador. Estimula a concorrência e promove melhor qualidade ao menor preço. Acontece que o mercado livre pode ser de concorrência perfeita ou imperfeita. Se no primeiro caso, existe muita oferta para um vasto mercado, no segundo, a oferta é reduzida para fazer face à procura. Aqui reside grande parte do problema da rota Funchal-Lisboa. Duas transportadoras aéreas – TAP e Easyjet – têm o poder de influenciar os preços, pelo facto de não haver disponibilidade suficiente no mercado para tanta procura. Estão confortáveis. A primeira tem uma quota de dois terços, a segunda de um terço do mercado, aproximadamente. Para quê abrirem uma “guerra” de preços ente si? Qual a razão para que os preços tenham subido tanto nos últimos anos? Entre 2013 a 2017, o tráfego de passageiros no aeroporto da Madeira aumentou de 2,3 milhões de passageiros para 3,2 milhões e a oferta não acompanhou o incremento da procura. Cerca de 70% da ocupação dos voos da TAP é constituída por turistas. Muitos deles vêm organizados em pacotes (voo mais hotel). Como os operadores turísticos fazem planeamento e “reservam” atempadamente milhares de viagens a preços “módicos” às companhias aéreas, o que sobra para os residentes é muito pouco. 30% dos lugares para os residentes na Madeira! A pressão sobre o preço aumenta. Como resolver esta falha de mercado? A TAP, que António Costa, Primeiro-Ministro do Governo Socialista - que nomeia administradores para a empresa - disse que seria pública para servir o País, nada faz e prefere comprar aviões e reforçar frequências para outros destinos como os Açores, vai-se lá saber por quê... Como sair deste imbróglio, então? É simples, e são muitos os exemplos pelo mundo. Os aeroportos são plataformas e instrumentos fundamentais para que os países e regiões façam subir o fluxo de turistas e promovam a mobilidade dos seus cidadãos. Como fazê-lo? O Governo Regional, o Turismo de Portugal, a Associação de Promoção da Madeira em parceria com a ANA devem criar planos de incentivos ao aumento de frequências, promovendo um maior número de viagens. A título de exemplo, há aeroportos na Europa que utilizam descontos no parqueamento e serviços de handling para atrair companhias aéreas. A competitividade no sector é enorme, o que obriga a uma ginástica e criatividade cada vez maiores por parte dos governos. A politica útil apenas serve se resolver os desafios futuros. A terceira companhia servirá seguramente os Madeirenses. O CDS não o descobriu agora. O CDS vem defendendo a terceira companhia há anos. Damos os parabéns àqueles que, finalmente, aterraram neste lado da luta.