O Conselho Superior de Turismo da Venezuela (Conseturismo) instou hoje o Governo a ordenar às forças de segurança que parem a desocupação dos hotéis onde se hospedaram os suspeitos de envolvimento no atentado falhado contra o Chefe de Estado.

Em causa estão vários hotéis de Caracas, entre eles o Hotel Altamira Suites e o Hotel Pestana Caracas, propriedade de empresários portugueses.

Em comunicado, o Conseturismo manifesta “profunda preocupação pela prolongada paralisação das atividades comerciais destes estabelecimentos”, o que tem ocasionado “prejuízo nas atividades económicas, além de causar danos patrimoniais aos proprietários”.

Por outro lado, sublinha que os clientes foram diretamente afetados e foram causados danos a fornecedores, “às suas respetivas imagens comerciais, ou seja, a toda a cadeia de valor que gera um estabelecimento hoteleiro”, além de ser prejudicado “um significativo grupo de trabalhadores, que veem afetada a sua fonte de trabalho digno e produtivo”.

“Esta inédita situação de ocupação policial indefinida destes estabelecimentos de alojamento deve ser reconsiderada pelos órgãos de justiça e do alto Governo, uma vez que conforma um cenário adverso para a promoção e captação de investimentos para o desenvolvimento do setor turismo no nosso país e atenta contra a estabilidade laboral e patronal destes estabelecimentos”, considera o Conselho Superior de Turismo da Venezuela.

A 04 de agosto, duas explosões - que as autoridades dizem terem sido provocadas por dois drones - obrigaram o Presidente da Venezuela a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar).

O Governo venezuelano acusou a oposição de estar envolvida no atentado, em conjunto com opositores radicados no estrangeiro.

Pelo menos 43 pessoas foram detidas pelas autoridades pelo alegado envolvimento no atentado.

Dois dos suspeitos, Brayan de Jesus Oropeza Ruíz, apelidado de “El Poeta”, que alegadamente terá operado um dos drones, e Gregório José Yaguas Monge, conhecido como “El Latino”, estiveram alojados no Hotel Pestana, que foi tomado por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN, serviços secretos).

As investigações dão conta de que outros três suspeitos ficaram alojados no hotel Altamira Suites.