Somos o Melhor Destino Insular da Europa, Melhor Destino Insular do Mundo, temos o primeiro Design Hotel do Mundo (Casino da Madeira do eterno arquitecto Oscar Niemeyer, temos o Melhor Jogador do Mundo, a Melhor Designer do Mundo e todos os outros, se não são, procuram os títulos para o serem. Sejam os melhores DJs, as melhores festas, as melhores esplanadas, os melhores restaurantes, os melhores hotéis, tudo é Top, tudo é ou acha que é o melhor do mundo. O problema é a seguir, dinheiro para a gasolina...
Não podemos investir tudo na estrutura e esquecer o que o “Marketing é a ciência e a arte de explorar, criar e entregar valor para satisfazer as necessidades de um mercado-alvo com lucro. Marketing identifica necessidades e desejos não realizados. Ele define, mede e quantifica o tamanho do mercado identificado e o potencial de lucro.” ). Podemos então ter um Porsche (negócio) mas se apostarmos tudo na estrutura ficamos sem gasolina (capital para o marketing) e não há nada mais frustrante do que estar sentado num Porsche que não anda, está parado por falta de combustível.
Acho que chega de ilusões, quando perceberem que quem cá vem gasta tudo na passagem e hotel e fica sem dinheiro para gastar no destino e que vão abrir cada vez mais mercearias e supermercados e cada vez menos cafés, restaurantes e lojas de qualidade e que o desprezo dado a outros sectores, também eles impulsionadores do turismo, como aquele que mais me diz respeito, em prol de “ dar combustível” a eventos que descaracterizam por completo o que somos, fugindo a todo o gás daquilo que realmente são as nossas raízes, talvez entendam que não foi o melhor caminho e que esta loucura desenfreada de oferecer o que não somos e apoiar sem sedimentar é apostar num turismo volátil de baixo consumo que não paga as contas. Porque a solução do português que é péssimo em negócios, salvo raras excepções, é, na ausência de pessoas, os poucos pagarem pelos outros, aumentando os preços. Ficar no Funchal é aborrecido, e cada vez mais virou um estaleiro de mau gosto, salvo raras excepções oferecemos produto zero, e sem nos apercebermos vamos alimentando o turismo interno que agora até já traz a comida e a bebida de casa e só sai para consumir o ar e as bebidas low coast a metro. Resumindo, é tempo de apostarmos no turismo seguro, na qualidade das experiências e perceber de uma vez por todas que pagar 400€ por uma viagem e outros 400€ de hotel deixa quem nos visita sem capacidade de usufruir o destino. É fundamental percebermos que os últimos anos foram uma pura ilusão gerada em virtude do “terrorismo” espalhado um pouco por toda a Europa e norte de África e que o turismo seguro que nós oferecíamos já não pesa na balança, e enquanto os outros voltaram a oferecer aquilo que realmente têm para vender nós temos andado a inventar o que não temos, deixando o nosso destino nas mãos das companhias aéreas e dos interesses dos grupos hoteleiros.
É que andar de carro sem companhia é uma chatice, mas sem combustível é mesmo impossível, até num Fiat 600.