Foram meses de preparação, muitas etapas, horas de reunião, muitas noites sem dormir, outras tantas em que desistir era a opção que os mais chegados nos indicavam.

Quero começar por reforçar o agradecimento ao Sr. Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Dr. Abraão Vicente pelo significado da sua presença entre nós.

Já tive oportunidade num outro artigo de explicar o conceito Atlanticulture Center e os objectivos da Atlanticulture de uma forma mais holística mas penso que existe uma história que merece ser contada.

Este projecto começou há 3 anos quando eu e o José Paulo do Carmo meu sócio, saímos da nossa zona de conforto e nos despedimos dos nossos empregos seguros para abraçar um amor comum que é o contacto com as pessoas na sua vertente mais Cultural, Artística e Criativa.

A nossa passagem por Cabo Verde, Moçambique, Angola e Brasil cultivou-nos o sonho de construir uma enorme ponte, uma plataforma atlântica comum, uma rede de agentes culturais onde existe lugar para todos, de todos e para todos e que não desse apenas palco e organização a uns quantos mas que apoiasse e suportasse as novas gerações com o objectivo de, quem sabe terem as oportunidades que nós demorámos mais tempo a conquistar. Tem sido um trajecto em que por vezes o mais complicado é explicar às pessoas o que é isso das industrias criativas e que a Cultura não é aquela palavra abstrata que se pronuncia quando queremos parecer intelectuais mas sim o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou de uma civilização.

Que Cultura é a música, o teatro, e os rituais religiosos, os mitos, os hábitos alimentares, as danças e a arquitetura, as invenções os pensamentos e as mais diversas formas de organização social. É a língua falada e escrita. E se este projecto se consubstancia nessa nossa paixão pela Comunidade de Países que falam a Língua Portuguesa, termos podido contar com a ilustre presença de um alto representante de um desses Países é para nós motivo de grande orgulho e satisfação porque representa em si o desafio a que nos propômos do contacto direto e presencial com as mais diversas comunidades respeitanto a riqueza da diversidade e com a certeza de que juntos somos mais fortes.

Mas tem sido um trajecto também feito de enorme esforço, onde os dois primeiros anos tivemos enormes dificuldades em ultrapassar alguns vícios instituídos no nosso mercado, incumprimentos que geram bolas de neve e onde o que mais sentimos é ressabiamento pelo nosso crescimento.

Na sala, no dia da inauguração, contamos com muitas pessoas que são nossa inspiração desde sempre, também muitos agentes culturais, jornalistas, amigos, elementos da nossa equipa e a nossa família.

Não podia deixar de destacar a presença de João Carlos Abreu e de dizer publicamente que tudo faremos para estar à altura desse momento.

Ao meu amigo Abraão Vicente que como ele disse, passou a noite a viajar, apanhou dois aviões e atravessou o Atlântico para vir à Madeira falar 5 minutos, essa sua presença é para nós carregada de significado e queremos que saiba o quanto nos honra. Pode contar connosco como tem feito questão de demonstrar que podemos contar consigo e dos enormes desafios que temos pela frente.

Uma palavra de agradecimento também para o Dr. Miguel Albuquerque e à equipa das Sociedades de Desenvolvimento, porque se esta é uma plataforma do Mundo Lusófono e da Macaronésia que pretende unir através dos contéudos que visa dar espaço através do contacto e que nos fará estar presentes de uma forma efetiva nas capitais dos mais diversos Países estes era sempre o nosso ponto de partida e foi muito importante o seu apoio e a mensagem. É para nós um privilégio enorme partir desta ilha maravilhosa e levá-la em nós como bandeira. Um espaço de cultura é um espaço de abertura à sociedade, às populações e associações aos residentes e aos passantes, aos interessados e aos viajantes e estará condenada à partida se não tiver na sua essência uma relação parceira de enriquecimento conjunto alicerçada pela proximidade com as instituiçoes que a representam num esforço conjunto para através das diversas idiossincracias ,estados de espírito e produtivo dar-mos mais, valorizarmos melhor, em suma ganharmos todos.

Não nos esquecemos por isso nem nos esqueceremos porque somos agradecidos e não temos memoria curta de quem alinhou no nosso sonho que muitos em tempos apelidaram de loucura e permitiu chegarmos aqui com a pele arrepiada e termos inaugurarei a nossa sede , a nossa casa, a vossa casa. De todos.

Mas há um factor decisivo que determinará o sucesso e por isso também o futuro desta organização. A partilha do conhecimento. É através da partilha de experiências, do valor acrescentado de cada um, do interesse, da presença e da construção conjunta que podemos chegar mais longe.

Um espaço de ideias aberto à sociedade, sem pretenciosismos ou prepotencias. Quando nos propomos a conectar Culturas temos obrigatoriamente de ter connosco projectos e trabalhos de todas as idades e dos mais diversos fenómenos artísticos e sociológicos, diferentes sem distinção de raças ou latitudes. Uma plataforma unificadora que não se fecha em si mas que se pretende com o contributo de cada um sem imposições. É na vossa adesão que estará o nosso caminho e ficaremos felizes se com isso possam ganhar um pouco também. Dar e receber, desenhar e projectar, rir e alterar, fazer questões e desarumar. Sonhar.

O Atlanticulture Center é de todos, sejam por isso todos bem vindos a esta porta de acesso à cultura Atlântica.