“Cultura é muito mais que informação, é o motor que move civilizações. Potencia a mente e a alma, as esperanças e os sonhos. Alimenta-se da tradição, da arte, dos valores, e é dela que parte a inspiração. E é por uma cultura evolutiva que aumentamos o conhecimento que temos do que nos rodeia. Partilhar cultura nunca será sinónimo de divisão mas sim factor de união”

A unificação através da Cultura das ilhas atlânticas, da Macaronésia e de dos países de língua portuguesa (CPLP) são uma das missões mais importantes que assumo hoje no espaço 2018 / 2030. A Madeira terá de ser constituir como líder deste movimento atlântico e estreitar os laços com as restantes ilhas e capitais culturais atlânticas de modo a cooperarem de forma estratégica neste propósito.

Hoje e como desígnio para 2018 a Atlanticulture apresentará o seu projecto de implementação deste propósito, através do projecto “Atlanticulture Center - Centro Livre de Artes, Cultura e Criatividade da Madeira” que visa transformar Machico não só num polo importante para a reflexão e debate da Economia da Cultura e Indústrias Criativas, mas também ajudar a transformar este Arquipélago, que tem dimensões várias, nomeadamente a Lusófona, a Europeia e a Atlântica, num cluster de cultura, de inovação e de prestação de serviços do Conhecimento e da Criatividade. Para este projecto, queremos fazer convergir na Madeira personalidades, autoridades, artistas e criadores, produtores e agentes culturais, os elementos das cadeias produtivas da Cultura e das Industrias Criativas, bem como todos os sujeitos associados direta ou indiretamente à produção cultural, em lato senso, para pensarmos sobre o potencial económico destes sectores e exaurir o contributo que os mesmos podem dar para os processos de desenvolvimento dos países e das regiões lusófonas atlânticas.

Estarão presentes nos próximos 2 anos na Madeira e através duma intensa programação do “Atlanticulture Center”, para nossa honra, governantes, autarcas, criadores, empresários, voluntários e mediadores, de vários países e regiões da Lusofonia, que se juntaram para defender uma causa. A causa da Indústria Criativa Atlântica.

De pronto, enquanto responsáveis pela criação deste movimento cultural e criativo, precisamos estimular novas formas de pensar a ligação entre a inovação criativa e as características endógenas da região, associadas à cultura, ao próprio turismo e aos demais sectores produtivos dos nossos países e das nossas regiões. Quer nos parecer importante mobilizar de forma mais articulada as vontades dos agentes políticos, económicos, sociais e culturais, proporcionando-lhes espaços e condições para o estabelecimento de estratégias de trabalho e a materialização de um mercado criativo mais acintoso, virtuoso e dinâmico, utilizando a macaronésia como um corredor estratégico de cooperação atlântica.

Estamos, para além do peso identitário e da fruição cultural, perante um tecido produtivo plural e diverso, particularmente voltado para a inovação e a criatividade, e ao património material e imaterial e, por isso, à agregação de valor pelo Conhecimento. Embora ainda não muito identificado, nem devidamente reconhecido, carecendo inclusive da devida visibilidade na esfera pública, o vasto sector criativo tem um peso muito significativo no desenvolvimento da miríade lusófona. A Criatividade, que advém lato senso da Cultura, é uma área sector que abriga processos produtivos que vão desde as artes, passando por conteúdos materiais e imateriais, tangíveis e intangíveis, todos com irrecusável dimensão produtiva e, portanto, económica.

A Indústria Criativa em relação ao PIB, nos países desenvolvidos, é significativa; ela cresce nos países em desenvolvimento e vai tomando vulto nos espaços da Lusofonia. O talento e o trabalho dos nossos artistas e criadores, empresários e intermediadores têm enorme potencial para atrair a atenção internacional e projetar as nossas economias a nível global. Entrementes, só através uma perspetiva integrada, ligando as atividades produtivas à Criatividade da Lusofonia Atlântica, criaremos sinergias proveitosas e escalas verdadeiramente competitivas no mercado global.

Algumas experiências bem sucedidas de integração da Comunidade Lusófona, de que destaco a própria criação da CPLP e, mais recentemente, da Confederação Empresarial da CPLP, mostram que, juntos e de forma convergente e articulada, todos podem, pela vertente da Indústria Criativa e das suas conexões, aumentar o potencial do nosso Desenvolvimento. Assinalo, com particular apreço, o espírito de colaboração presente na iniciativa da viabilização deste manifesto. Torna-se imperioso que, no futuro, envolvamos mais instituições da Sociedade Madeirense e deste eixo Atlântico que todos queremos cooperante e unido.

A cooperação no campo da cultura e criatividade no eixo atlântico estende-se hoje às mais diversas matérias e envolve um número cada vez maior de sectores das nossas sociedades. Vamos consolidar neste virtuoso contexto a Indústria Criativa. Este propósito, assume-se, a partir de hoje, de forma crescente, como uma entidade que queremos de referência no mundo atual. A valorização da lusofonia, enquanto sujeito global, reforça a posição de cada um dos presentes nesta jornada histórica. Em verdade, o tema reflexão e debate para os próximos 2 anos convoca-nos a levantar interrogações e a encontrar respostas para os novos desafios globais que passa, necessariamente, por dar vez e voz à Criatividade, Cultura e Inovação nos processos de Desenvolvimento 2018 / 2030.