A promoção da Madeira para atrair turistas dos USA baseou-se especialmente pela instalação de cadeias de hotéis americanos na região: Hilton, Sheraton, Holiday Inn, bem como a promoção feita pela TAP, através do seu operador, que lançou o programa para estadias no continente e na Madeira. Especialmente com o programa “Rotas do Colombo”, que incluía também a ilha de Las Palmas.
Contamos ainda com os operadores das companhias de aviação, tais como Swissair, Alitália, que faziam escalas em Lisboa, promovendo estadias não só no continente, mas também na Madeira.
Por outro lado, os operadores de viagens americanos, também passaram a incluir a Madeira na sua oferta, apoiados pelas cadeias de hotéis americanos instalados na região.
Desses operadores estava o operador, de origem portuguesa “Claras Turismo”, e outros pertencente a imigrantes madeirenses e açorianos, baseados em Boston, New Bedford. A Paragon Tours, Travel-Go-Round e a DiCarlo trouxeram largos milhares de turistas daquele mercado.
Com estas bases de apoio comecei então a visitar os Estados Unidos da América apoiado especialmente pelas cadeias de hotéis presentes, na ilha, que além de me darem os contactos necessários, para o meu trabalho me convidavam a ficar nos seus hotéis
A par destas atividades, o Turismo da Madeira, apoiado no escritório do Turismo Português em New York com a Enca Lameiro, João Borges (conhecido como Mr. Madeira) começou a organizar workshops nas principais cidades e a participar em salões de turismo.
Os recetivos de turismo sediados em Lisboa, que representavam os operadores americanos como: Cityrama Viagens e Turismo, Claras Turismo, Viagens Abreu (antes de abrir o seu escritório na Madeira), Turismo Portugal, Turismo Cruzeiro, América Tours, todos representados pela “Panorama Viagens e Turismo”, ajudarem. Esta para a promoção, associou-se a grupos americanos, como Gray Line Sightseeing, SITE, MPI, Gay and Lesbian Travel, acelerando assim a promoção
Nas visitas de trabalho que me levaram aos USA visitava os escritórios comerciais, da Hilton em New York, da Sheraton em Boston, criando assim amizades nas direções que muito me ajudaram a levar a cabo o meu trabalho.
Nas minhas idas aos USA, percorri quase todos os Estados de Este a Oeste contactando as agências que já trabalhavam com Portugal, e ainda outras que me foram recomendadas.
Este meu trabalho fez com que representasse a grande maioria dos clientes dos USA para a Madeira. A promoção estendeu-se às Canarias com alguns dos operadores americanos, sendo a Panorama o primeiro operador para Canarias, com saídas da Madeira.
O recetivo dos americanos em Canarias destinou-se deste último dos hotéis de 5 estrelas: Santa Catalina, Reina Isabel, cujo diretor deste último convidou-me para sempre que fosse a Las Palmas me hospedasse-me no seu hotel. Cheguei a recusar porque o hotel não tinha frigorifico no quarto e gostava nos fins da tarde sentar-me na varanda a comer gambas, e beber cerveja. Este facto levou o diretor por amabilidade sempre que me hospedava no hotel passasse a pôr um frigorifico no quarto...
Um evento extraordinário que levou o nome da Madeira a novos clientes dos USA foi o Madeira Bach Festival de 1981 a 1985.
Este Festival nasceu com a vinda, como turista à Madeira, do grande artista pintor americano Joel Levy, que aqui passou férias. Em contacto com o seu assistente o guia turístico, João Carlos da Veiga Pestana, falou do Festival Bach de Pablo Casals, que era feito na ilha de Puerto Rico, mas com a morte dele foi cancelado definitivamente. Então este lançou a ideia de se organizar um festival semelhante na Madeira, pois ele esteve ligado à organização dos anteriores Festivais.
João Carlos Veiga Pestana expôs-me a ideia e eu agendei um encontro com ele e com Gun minha mulher que viveu nos USA, numa família judia para se encontrar uma solução para o suporte financeiro e facilidades de locais para os concertos.
Em seguimento a esta reunião marquei uma reunião na Direção de Turismo com o Eng. Ribeiro de Andrade, João Borges e João Carlos Abreu; que aceitaram a ideia. Prometeram que iriam fazer as diligências necessárias e pediram então uma reunião com Joel Levy para discutir a ideia.
Depois de uma reunião com os hoteleiros e outras identidades, foi lançado os alicerces para o referido Festival.
A operação turística seria a cargo do operador com quem Joel Levy tinha viajado Claras Turismo com escritórios em New York e ainda com a TAP.
Joel Levy começou logo a tomar contactos com os organizadores do Festival de Bach de Pablo Casals para o ajudarem a organizar os contactos com os artistas a trazer à Madeira alguns dos GRANDES NOMES da musicas clássica mundial como Jean Pierre Rampal com a sua flauta dourada, Maureen Forrest, que deixou os seus sapatos no Teatro de Baltazar Dias, Emy Emeling , Tony Newman, Coro Gulbenkian, etc.
Tentei lançar o programa na Europa, consegui pouco sucesso pois só tive um operador francês a programa-lo, trazendo poucos clientes infelizmente
O Festival acabou por falta do subsídio do Turismo da Madeira, o que originou inclusivamente processos contra a organização que não pôde pagar os compromissos assumidos. A nossa grande publicidade da ilha nos USA acabou....
Lembro-me que depois de terminar o Festival tive vários pedidos individuais para o mesmo durante 2/3 anos... A imagem do festival felizmente ficou!
Carlos Jardim