As medidas que mexem diretamente no nosso bolso são, sem dúvida, as que produzem um efeito mais imediato nas nossas opções e comportamentos. Infelizmente, a linguagem que a sociedade revela conhecer melhor, e à qual nunca faz ouvidos de mercador, é a do dinheiro. A estratégia do chicote e da cenoura, comprovadamente eficaz em asnos e cavalos, continua a ser a que produz resultados mais rápidos em nós, humanos, ainda mais porque o dinheiro tanto pode proporcionar uma deliciosa cenoura como um doloroso chicote. Ao longo das últimas décadas, independentemente das falhas nesse trabalho, muito esforço de educação ambiental foi despendido na nossa sociedade, e, embora muito aquém do necessário e desejável, são daí visíveis alguns resultados sólidos e positivos. No entanto, restam poucas dúvidas de que as medidas que se traduziram em benefícios mais imediatos e concretos para o ambiente resultaram de penalizações (chicote) e incentivos (cenoura), e não tanto do investimento em educação ambiental (embora só este, se adequado, consiga consolidar mudanças de fundo, com alcance a médio e longo prazo). Foi assim, por meio de incentivos e obrigações legais, para a adoção de painéis solares térmicos para aquecimento de água, e está a ser, também com incentivos, para a compra de veículos elétricos. A redução substancial do uso dos sacos de plástico nos supermercados também só foi possível com o fim da sua distribuição gratuita. Curiosamente, como consequência do mesmo princípio, neste caso do efeito do chicote, Portugal registou, pela primeira vez na sua história, reduções nas emissões de gases com efeito de estufa, nos consumos de energia e na produção de lixos, apenas como consequência da crise e da austeridade que se fez sentir desde 2008 até há bem pouco tempo, e não por uma qualquer medida estrutural ou por melhores níveis de literacia ambiental. Aliás, por ser conjuntural, a retoma da confiança económica está a fazer disparar novamente os consumos de energia e produção de lixo, revelando que as transformações que devemos almejar para a nossa sociedade devem sê-lo por caminhos sólidos, consistentes e sustentáveis. Por outro lado, não nos faltam exemplos do efeito pernicioso das políticas públicas, que, quando desadequadas, podem conduzir a situações indesejáveis, nomeadamente com graves reflexos sobre a qualidade ambiental. Veja-se, por exemplo, o resultado de privilegiarmos fiscalmente o gasóleo, relativamente às gasolinas: a grande maioria dos veículos em Portugal utilizam os poluentes motores a diesel (principal causa da degradação da qualidade do ar nas nossas cidades), motores que a Alemanha já anunciou querer descontinuar nos próximos anos e que alguns países, principalmente fora de Europa, praticamente nem usam.
As políticas públicas são determinantes na construção de uma sociedade melhor (ou pior, se forem erradas ou mal conduzidas), mas o papel da educação ambiental não deixa de ser determinante na promoção e consolidação de uma sociedade ambientalmente mais sustentável. Aliás, políticas públicas adequadas para o ambiente e para a sustentabilidade só são possíveis, e apoiadas, numa sociedade que demonstre níveis elevados de literacia ambiental, patamar só alcançável por via da educação ambiental. A estratégia do chicote e da cenoura é eficaz a curto prazo, mas, por ser imediatista, não resulta de forma duradoura, a não ser quando acompanhada por uma educação ambiental capaz de proporcionar transformação cultural.