600 anos, aqui chegamos. Depois de tantas dificuldades, somos especialistas em encontrar formas de nos reinventarmos, agarrados à resiliência com que ultrapassamos os maiores desafios. Felizmente olhamos e vemos sangue novo para “dar e vender” e quando não há acesso a verbas e as facilidades são poucas, a economia criativa volta a ser o nosso maior aliado, da mesma forma que os nossos antepassados o fizeram. Estamos por isso a viver uma época de êxitos fantásticos, onde a excelência teima em acompanhar o nosso capital criativo regional. Casos de sucesso feitos da nossa massa e do nosso sangue. Exemplos de quem o consegue e de quem o provoca. Nos eventos conquistámos o record do Guiness através do espectáculo de fim de ano (fogo de artifício , mas também nas mais diversas áreas da nossa economia , como o próprio DN onde escrevo estas linhas, ou nomes como o de Cristiano Ronaldo, DDiarte, Nini Andrade Silva, Rigo23, Fátima Lopes, Tolentino Mendonça, Paulo David, Lourdes de Castro, Herberto Helder, Patrícia Pinto, João Rodrigues, Leonardo Jardim, Chef Luís Pestana, Frederico Fernandes, Ricardo Vasconcelos com os “Amor Electro”, Teresa Gonçalves Lobo, Bárbara Pereira, Vânia Fernandes, Joana Machado, Nuno Serrão, Joe Berardo, Paulo Barbosa e Marco Chaves com o Funchal Jazz e Gonçalo Camacho com o “Summer Opening”, só para enumerar alguns casos das mais diversas áreas. São gente de capital criativo notável que faz acreditar que esta deveria ser uma das áreas âncora da nossa região com símbolos de uma Madeira que vive o auge da sua “Geração de Ouro”. Podemos afirmar que devemos ser pioneiros na arte da economia criativa, como são exemplo disso as levadas, que a sua origem deveram-se à necessidade de trazer grandes quantidades de água das vertentes orientadas a norte, onde abunda, para o lado sul da ilha, de mais fácil habitação e onde se situaram desde sempre a maioria das plantações, nomeadamente de cana de açúcar. Sabemos que as levadas começaram a ser construídas no séc. XVI, e as mais recentes datam da década de 40, fornecendo água para centrais hidroeléctricas e também para fins de irrigação. Ou na arte de construir os poios “socalcos das encostas escavados e cultivados”. Pergunto existem maiores exemplos de economia criativa que estes? São tantos os casos inspiradores da nossa história que nos fazem acreditar que esta sempre foi a nossa essência. É por isso que nestes próximos 2 anos em que festejamos os 600 da descoberta das nossas ilhas, que temos de criar bases para a nossa sustentabilidade futura. Sermos no fundo os garimpeiros do que aí vem. Agarrar neste imenso Ouro que temos “ produzido” ao longo de décadas e dar-lhe valor por forma a tratá-lo bem, no fundo honrando a nossa história e homenageando os casos de sucesso para que possamos em conjunto mostrar ao Mundo aquilo que nós somos, e fazendo com que olhem para nós como a ilha do talento onde cresce uma geração de ouro. A maturidade de uma sociedade vê-se também na forma que encontra em valorizar o seu património. Antigamente, costumávamos sonhar em atingir o ouro, e parecia tão longínquo...agora estamos a vivê-lo! É por isso um orgulho comemorarmos o passado, mas é tempo de também honrar o presente, celebrando orgulhosamente esta Geração de Ouro!
Geração de ouro
A maturidade de uma sociedade vê-se também na forma como valoriza o seu património