Numa reacção ao embargo da Câmara Municipal do Funchal a obras do Governo Regional na ribeira de Santa Luzia, mais precisamente na Ponte Nova, e que foi hoje noticiada pelo DIÁRIO, a Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus diz que a CMF “quer eternizar estaleiro e destrói o seu próprio património”.

A nota foi emitida esta tarde pelo gabinete de Sérgio Marques. “No seu estilo já conhecido de tentar desviar atenções da sua aparente incapacidade de gerir a coisa pública municipal, e por motivações absolutamente eleitorais, a Câmara do Funchal tentar abrir mais uma frente de guerrilha com o Governo, à semelhança do que fez nos últimos dias noutros sectores, procurando reaavivar, sem qualquer fundamento, uma litigância relativamente à Ponte Nova”, refere.

Esta ponte, diz o texto, “que o Governo encontrou com significativos problemas estruturais e de segurança ,e relativamente à qual este executivo camarário nunca deu atenção nem fez qualquer reparação às várias enfermidades que padecia, encontra-se num processo de recuperação após um cuidado estudo promovido pelo Governo para que este regresse à sua pureza original, sem que a Câmara, não obstante a sua retórica oca acerca do património, tivesse alguma vez contribuído com sugestões técnicas para essa solução de recuperação”, acusa.

Explicando o processo, diz a SRAPE que, “além da notificação do suposto embargo ter sido tentada a uma hora em que se sabia que já ninguém estaria no local da ponte, porventura para que a pudesse noticiar nos jornais, antes mesmo de dar conhecimento formal ao dono da obra, alimentando assim uma política que se pauta pela propaganda e pela sucessão de acções de guerrilha institucional, a Câmara deixou, nesta acção desesperada, cair a máscara”.

Torna-se “agora absolutamente claro que a intenção deste executivo é, e sempre terá sido, de impedir a conclusão das obras”, acusa, “para que estas se mantenham em estaleiro, com os naturais constrangimentos que uma obra em curso provoca às populações”. E acrescenta: “Está à vista de todos que a intenção política é criar um conjunto de incidentes que eternizem a obra, criando incómodos aos funchalenses, para poderem continuar a chicana eleitoralista de ataque a intervenções em fase de inacabado estaleiro. Se a preocupação fosse realmente a defesa do património esta Câmara nunca teria realizado a intervenção terceiro-mundista que efectuou no edifício onde já funcionavam serviços municipais, agora pomposamente inaugurado como Loja do Munícipe, onde o facto mais relevante é a destruição das componentes de fachada de “reboco areado”, com material arenoso que historicamente provinha da própria ribeira, e que fazia parte integrante e fundamental daquela estrutura.”

Continuando sobre este mesmo projecto autárquico, o texto lembra que “hoje já muito difícil de realizar, ainda mais tendo em conta a proveniência do material original, perdem-se assim elementos de um edifício que tinha características únicas, não só a nível regional, e que fazia parte da ‘impressão digital da cidade’. Curiosamente este edifício não mereceu classificação patrimonial por parte da Câmara, nem esta parece preocupada com a evidência de ela própria ter atentado contra as suas características históricas e essenciais”, argumenta, disponibilizando três fotos como ‘prova’.

Relativamente à Ponte Nova, “está a ser alvo de um indispensável reforço estrutural, retirando a areia que enchia o seu interior para colocação de material que ajude ao suporte da mesma e que garanta a segurança de todos aqueles que, no futuro, a utilizem”, acredita. “Todos os elementos que se revestem de valia e interesse históricos estão a ser preservados, e isso não incluiu, naturalmente, acrescentos Kitsch, provavelmente do agrado da Câmara, mas que foram introduzidos muitas décadas após a construção dos dois arcos em cantaria que são, na realidade a ‘Ponte’”. Por fim, a SRAPE diz que, “de resto, as guardas e acrotérios regressarão à sua traça original, estando a ser analisada documentação histórica de suporte a esse regresso às origens”.

Numa posição de força, assegura que “o Governo continuará a sua política de defesa do património, e a sua fina concertação com as necessidades de conservação, recuperação e zelo pela segurança dos madeirenses e visitantes, tópicos que não parecem constar das prioridades desta Câmara, que continua mais interessada na propaganda, na guerrilha, e no lançamento de primeiras pedras de obras ainda não autorizadas”, conclui.