Há muitas mulheres vítimas de assédio moral na Madeira. A denúncia é reiterada pela União dos Sindicatos que ainda luta contra o “machismo enraizado” nas empresas. Maria José Afonseca não revela dados concretos, mas nota que as trabalhadoras são bastante atingidas por práticas que as levam a adoecer, a pedir baixa, a deixar o trabalho.
A dirigente da USAM acredita que é possível mudar esse quadro, mas para isso exorta as mulheres vítimas de assédio moral a agir, a denunciar e a associar-se ao movimento sindical. O assédio moral é uma praga que alastra também na Madeira, garante Afonseca.
Essa forma de assédio revela-se sob diferentes maneiras de agir quer do patronato, quer das chefias e, por vezes, até de colegas a mando das chefias, afirma a dirigente sindical. Maria José Afonseca dá como exemplo de assédio moral situações em que a empresa pressiona as mulheres trabalhadoras com vista ao seu afastamento. Fazem-no através da desqualificação, de indicações de que o trabalho está mal feito ou de que há outras mulheres que o fazem melhor, desafiando as trabalhadoras a ir para casa de baixa médica ou até a seguirem para o desemprego. Quando a pressão é muita, algumas aceitam esse caminho, outras até procuram outro trabalho onde lhes acontece a mesma coisa, acrescenta Maria José Afonseca.
O assédio moral gera precariedade laboral e interfere na vida das trabalhadoras e família, acrescenta. Também por isso, a União dos Sindicatos da Madeira desafia o Governo a aumentar a fiscalização, sugerindo à Inspecção Regional do Trabalho que passe mais tempo com os trabalhadores do que com o patronato. Ao nível legislativo, a USAM reivindica normas claras que proíbam o assédio moral no local de trabalho e um quadro legal que seja efectivamente punitivo para quem pratica qualquer forma de assédio moral.
