Algumas dezenas de dirigentes sindicais, dos vários sectores representados pelo Sindicato da Hotelaria da Madeira, realizaram uma manifestação, junto à sede da Associação Comercial e Industrial do Funchal, para protestar contra a recusa da associação patronal em negociar aumentos e a revisão do contrato colectivo de trabalho.
“É lamentável a postura de chantagem da ACIF”, protesta Adolfo Freitas que lembra que estes têm sido os “anos de ouro” do turismo da Madeira mas que esse sucesso não chegou aos trabalhadores.
“Ainda recentemente esteve cá o secretário-geral da Organização Mundial de Turismo que elogiou a ocupação hoteleira da Madeira mas, infelizmente, o que tem havido para os trabalhadores é um aumento de sacrifícios, um aumento de trabalho, sem qualquer benefício”, afirma o dirigente sindical.
A ACIF propôs um aumento de 1% para o sector dos similares, para compensar os anos em que não se verificaram acréscimos salariais, mas essa também é uma proposta que o sindicato não aceita.
“Para a hotelaria, a resposta da ACIF é zero. Só aceitam negociar a partir de uma proposta de contrato que nos apresentaram, em Dezembro de 2015”, protesta Adolfo Freitas.
No meio de apitos, tambores e palavras de ordem contra a ACIF, o dirigente do Sindicato da Hotelaria procurou resumir o impasse em que se encontra a situação laboral no principal sector de actividade da Região.
“O sindicato da Hotelaria não se recusa a negociar e está disponível para fazer ajustamentos ao contrato colectivo de trabalho que está em vigor. Agora, aceitar a proposta que a ACIF quer impor para negociação é o maior retrocesso social, em pleno século XXI”, acusa.
A ACIF, garante o sindicalista, não quer negociar qualquer contrato com a hotelaria. “Tanto é assim que ainda tem, no Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, uma acção para levar à caducidade do contrato. Isso já demonstra, por si só, qual é a postura da ACIF”.
O que a ACIF propõe, afirma, retiraria todos os direitos aos trabalhadores que passariam a ser “autênticos escravos”.
“Querem impor o banco de horas, até 55 horas, trabalhar feriados e dias de descanso de borla, trabalhar horas extra praticamente de borla, alterar os dias de descanso quando bem entenderem, um conjunto de diretos que querem retirar. Ao aceitar esse contrato, os trabalhadores passariam a não ter quaisquer direitos”, conclui.
O sindicato vai pedir a conciliação do Governo Regional para evitar paralisações nos períodos de eventos turísticos mais significativos e espera que o executivo “esteja sensível” aos seus problemas.
“Além da conciliação, vamos para as empresas, não só falar com os trabalhadores, mas também estar em contacto directo com os clientes que visitam a Madeira. Recebemos muita solidariedade dos clientes que ao saberem quanto ganha um trabalhador, pensam que é por semana e não por mês”, afirma.

