Os italianos Antonio Tajani e Gianni Pitella vão protagonizar ainda hoje uma quarta volta, inédita desde 1982, na eleição para presidente do Parlamento Europeu (PE), na reunião plenária do hemiciclo de Estrasburgo, França.
Após três rondas com seis nomes a disputarem o lugar do cessante socialista alemão Martin Schulz, os mais votados de todas as rondas prevaleceram, repetindo um quarto sufrágio só registado na escolha do socialista holandês Pieter Dankert, há 34 anos.
Desde 1979, data da primeira eleição direta para o cargo só houve outras duas ocasiões com necessidade de terceira volta: o conservador britânico Henry Plumb (1987) e o social-democrata irlandês Pat Cox (2002).
Tajani, 63 anos, foi porta-voz do antigo primeiro-ministro transalpino Silvio Berlusconi e comissário europeu de Durão Barroso com a pasta dos Transportes e também da Indústria e Empreendedorismo, integrando o Partido Popular Europeu (PPE), onde estão PSD e CDS-PP.
Gianni Pitella, 58 anos, lidera a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), o grupo da família política do PS. Com a manutenção no cargo do socialista Schulz por dois mandatos terminou o acordo tácito de rotatividade entre as duas maiores forças políticas europeias.
Como sucedeu nas duas primeiras voltas da eleição que decorre desde perto das 09:00 (08:00 em Lisboa, Tajani foi o mais votado na terceira ronda, mas aquém da maioria absoluta (346), ficando-se por 291 votos, contra 199 de Pittella, entre 690 votos válidos.
Na quarta e derradeira votação, só os dois candidatos mais apoiados se podem apresentar para atingir a maioria simples e, em caso de empate, será designado o mais velho, neste caso Tajani.
O último sufrágio do dia vai ocorrer, ainda hoje, prevendo-se a divulgação dos resultados pelas 22:00 (de Lisboa).
Na terceira volta, cuja votação começou às 17:30 (de Lisboa), a belga Helga Stevens (Conservadores e Reformistas Europeus), primeira mulher surda belga a praticar advocacia, com 58 votos, foi a terceira mais votada.
A italiana Eleonora Forenza, membro da comissão executiva da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL) - à qual pertencem PCP e BE -, foi a quarta, com 45, seguindo-se o romeno Laureniu Rebega (Europa das Nações e da Liberdade), com 44, e a britânica Jean Lambert (Verdes/Aliança Livre Europeia), com 35.
Além do substituto do socialista Martin Schulz, que vai concorrer ao parlamento alemão nas próximas eleições e pode vir a desafiar a chanceler Angela Merkel, os eurodeputados vão ainda decidir até quinta-feira sobre 14 vice-presidentes do PE, cinco gestores (administração do PE) e os membros das 22 comissões permanentes.
Portugal está representado no PE por 21 deputados, oito do PPE (seis do PSD, um do CDS-PP e um do MPT), oito dos S&D (PS), quatro da GUE/NGL (três do PCP, uma do BE) e um da ALDE (PRD).
