Ao Governo e às autarquias cabe-lhes maximizar o bem-estar dos seus cidadãos “Uma boa instituição do Estado é aquela que serve, de forma eficiente e transparente, as necessidades dos seus clientes – os cidadãos do Estado.” In “A construção de Estados” de Francis Fukuyama. Ao Governo e às autarquias cabe-lhes maximizar o bem-estar dos seus cidadãos, fazendo com que os recursos, quase sempre escassos, sejam utilizados eficientemente. Governar é ter uma visão para o futuro, definir um plano e segui-lo. E face às adversidades, efetuar os reajustamentos necessários para atingir sempre o bem comum. Os sinais dos tempos mostram que a sociedade madeirense deseja uma mudança no paradigma político regional, na continuidade, ou na alternância, com novas abordagens. Anseia-se pela boa coordenação das instituições com trabalho de equipa em prol da população. Sejam elas governo ou autarquias. Sem “politiquices”. Sendo o Presidente do Governo um ex-autarca da cidade do Funchal, esperava-se que estivesse conjuntamente com o Presidente da Câmara Municipal do Funchal nos trabalhos de coordenação que a Proteção Civil estava a efetuar no terreno. Cabe ao hierarquicamente superior unir, reunir e orientar toda e qualquer tropa. Este era o momento ideal para demonstrar à população que o interesse maior das instituições era a sua defesa. Era o momento para “ter de haver”! A realidade foi outra. Verificamos o desfasamento de alguns governantes da realidade vivida pela sua população e esta sentiu-se guiada por instintos de oportunidade política e de orgulho. Esqueceram que toda a ajuda era preciosa e negaram ofertas de ajuda em benefício do bem maior - a nossa Madeira. Ao invés, em ato de fé optou-se por prestar declarações afirmando que o fogo estava já “controlado”. Com aquelas temperaturas e com aquele vento, “controlado” para o povo significava estar em fase de rescaldo com vigilância para evitar reacendimentos. Afinal era nova fé de ter capacidade para ir resolvendo o monstruoso incêndio, com maior ou menor dificuldade. 30 minutos depois do “controlado”, vivia-se o inferno na cidade do Funchal! E aí se aceitou a ajuda externa após muita insistência. Em cenários de crise e exigência fazem falta os melhores. Os melhores na coordenação, na comunicação, na articulação das equipas. Cometer o erro de não os ter condena a governação a uma crítica superior. Um governo constitui-se por competências, não por amizades, seguidores cegos, de silêncios lambe-botas, de contentamentos em apostas estéreis. Naquele momento de exigência, pelos bairros, ruas e sítios do Funchal, os líderes naturais saíram do anonimato, orientaram o seu próximo, salvaram o que puderam com os meios disponíveis e regressaram ao anonimato. O povo sabe quem estava ao seu lado no momento difícil e da fabricação de heróis oficiais. E no que a mim me diz respeito, faço aqui o reconhecimento a todos os meus vizinhos. Um bem-hajam! Se os heróis anónimos se mexessem na política, isto dava uma grande cambalhota... Agora só se fala em planos e mais planos como se a liderança das equipas tivesse sido “renovada” ou se a desgraça vivida nestes dias fosse uma novidade. Há 3 anos atrás viveram-se momentos de angústia semelhantes no concelho de Santa Cruz e na cidade do Funchal, nas freguesias de São Gonçalo, Monte, Santo António e São Roque. Ao contrário do que se tenta difundir, o povo sente a fragilidade do meio que o rodeia e a resposta dos governantes e acredita que cada catástrofe potencia outra pior. Na altura, tínhamos o mesmo Presidente da Proteção Civil. Pergunto: o que se aprendeu desses incêndios? Remeter tudo ao pirómano e ao tempo? Que adaptações se realizaram ao Plano de Emergência? A que conclusões chegaram? Analisaram no que poderiam melhorar? Que medidas se considerou necessárias para minorar o perigo? Como se pode colocar em segurança as populações e seus animais? É curioso que os simulacros detectam erros, mas no teatro real nunca ninguém assume responsabilidades porque nele participamos todos. Passei, pois, a ser como São Tomé: ver para crer. Lamento mas já não confio nesses planos, estudos e relatórios feitos por estas pessoas. Por muito menos em outras sociedades, vi demissões de governo e de cargos. Não estão em questão as pessoas, mas sim competências. Uma sociedade que não premeia a competência, nem penaliza os incompetentes não evolui. Fátima Ascensão

Ao Governo e às autarquias cabe-lhes maximizar o bem-estar dos seus cidadãos

“Uma boa instituição do Estado é aquela que serve, de forma eficiente e transparente, as necessidades dos seus clientes – os cidadãos do Estado.” In “A construção de Estados” de Francis Fukuyama. Ao Governo e às autarquias cabe-lhes maximizar o bem-estar dos seus cidadãos, fazendo com que os recursos, quase sempre escassos, sejam utilizados eficientemente. Governar é ter uma visão para o futuro, definir um plano e segui-lo. E face às adversidades, efetuar os reajustamentos necessários para atingir sempre o bem comum. Os sinais dos tempos mostram que a sociedade madeirense deseja uma mudança no paradigma político regional, na continuidade, ou na alternância, com novas abordagens. Anseia-se pela boa coordenação das instituições com trabalho de equipa em prol da população. Sejam elas governo ou autarquias. Sem “politiquices”. Sendo o Presidente do Governo um ex-autarca da cidade do Funchal, esperava-se que estivesse conjuntamente com o Presidente da Câmara Municipal do Funchal nos trabalhos de coordenação que a Proteção Civil estava a efetuar no terreno. Cabe ao hierarquicamente superior unir, reunir e orientar toda e qualquer tropa. Este era o momento ideal para demonstrar à população que o interesse maior das instituições era a sua defesa. Era o momento para “ter de haver”! A realidade foi outra. Verificamos o desfasamento de alguns governantes da realidade vivida pela sua população e esta sentiu-se guiada por instintos de oportunidade política e de orgulho. Esqueceram que toda a ajuda era preciosa e negaram ofertas de ajuda em benefício do bem maior - a nossa Madeira. Ao invés, em ato de fé optou-se por prestar declarações afirmando que o fogo estava já “controlado”. Com aquelas temperaturas e com aquele vento, “controlado” para o povo significava estar em fase de rescaldo com vigilância para evitar reacendimentos. Afinal era nova fé de ter capacidade para ir resolvendo o monstruoso incêndio, com maior ou menor dificuldade. 30 minutos depois do “controlado”, vivia-se o inferno na cidade do Funchal! E aí se aceitou a ajuda externa após muita insistência. Em cenários de crise e exigência fazem falta os melhores. Os melhores na coordenação, na comunicação, na articulação das equipas. Cometer o erro de não os ter condena a governação a uma crítica superior. Um governo constitui-se por competências, não por amizades, seguidores cegos, de silêncios lambe-botas, de contentamentos em apostas estéreis. Naquele momento de exigência, pelos bairros, ruas e sítios do Funchal, os líderes naturais saíram do anonimato, orientaram o seu próximo, salvaram o que puderam com os meios disponíveis e regressaram ao anonimato. O povo sabe quem estava ao seu lado no momento difícil e da fabricação de heróis oficiais. E no que a mim me diz respeito, faço aqui o reconhecimento a todos os meus vizinhos. Um bem-hajam! Se os heróis anónimos se mexessem na política, isto dava uma grande cambalhota... Agora só se fala em planos e mais planos como se a liderança das equipas tivesse sido “renovada” ou se a desgraça vivida nestes dias fosse uma novidade. Há 3 anos atrás viveram-se momentos de angústia semelhantes no concelho de Santa Cruz e na cidade do Funchal, nas freguesias de São Gonçalo, Monte, Santo António e São Roque. Ao contrário do que se tenta difundir, o povo sente a fragilidade do meio que o rodeia e a resposta dos governantes e acredita que cada catástrofe potencia outra pior. Na altura, tínhamos o mesmo Presidente da Proteção Civil. Pergunto: o que se aprendeu desses incêndios? Remeter tudo ao pirómano e ao tempo? Que adaptações se realizaram ao Plano de Emergência? A que conclusões chegaram? Analisaram no que poderiam melhorar? Que medidas se considerou necessárias para minorar o perigo? Como se pode colocar em segurança as populações e seus animais? É curioso que os simulacros detectam erros, mas no teatro real nunca ninguém assume responsabilidades porque nele participamos todos. Passei, pois, a ser como São Tomé: ver para crer. Lamento mas já não confio nesses planos, estudos e relatórios feitos por estas pessoas. Por muito menos em outras sociedades, vi demissões de governo e de cargos. Não estão em questão as pessoas, mas sim competências. Uma sociedade que não premeia a competência, nem penaliza os incompetentes não evolui.

Fátima Ascensão