Mário Silva Jesus Terminaram mais uns Jogos Olímpicos, Rio 2016, da nossa frustração e descontentamento. Mas efectivamente qual é o português que não gostava de ver a sua bandeira ser hasteada e poder ao mesmo tempo ser ouvida a “A Portuguesa” nestes Jogos Olímpicos do Rio2016, fosse qual fosse a modalidade ou qual o atleta a dar-nos esta grande alegria que seria a conquista de uma “medalhinha”? Pois infelizmente nada disto aconteceu, para frustração não só do nosso povo, como também decerto para os próprios atletas, que tudo fizeram para alcançarem tamanha glória, não só para eles, como para o próprio País, e que todos nós estávamos ansiosos por ver tal façanha... que se tem vindo a repetir de jogos para jogos. Mas o País, isto é, o erário público, que somos todos nós, não deixámos de gastar 17,7 milhões de euros com a preparação de uma centena de atletas, que vieram de mãos vazias, excepção feita à nossa judoca Telma Monteiro, que salvou “a honra do convento” trazendo na sua bagagem a medalha de bronze do nosso contentamento. Mas foi muito pouco para as aspirações de êxito da maior parte dos atletas que compuseram a comitiva olímpica. Contudo, se pensarmos um pouco, a maior dos nossos atletas de algumas modalidades suportam muitas vezes a sua preparação do seu próprio bolso e muitas vezes prejudicando a sua própria vida profissional e até familiar. Ser atleta de alto rendimento neste País do faz de conta é mesmo uma questão de carolice, amor ao desporto e daí tirarem “dividendos” pessoais. Como não há uma política séria do desporto em Portugal, não seria importante, começar logo, já ontem, a serem investidas as verbas, que agora foram gastas em vão, nas escolas a preparar os nossos jovens, para daqui a umas próximas décadas haver gente capaz de saber honrar a nosso País e a nossa bandeira? Não quero afirmar que estes que estiveram presentes no Rio2016 não souberem honrar o País. Nada disso. Mas se os jovens de hoje não souberem justificar o dinheiro gasto com as preparações, continuaremos a não passar de um país de terceiro mundo, infelizmente, até no desporto.