J. Edgar M. da Silva Assumir que o que nos faz falta, mais cidadania e segurança: cidadãos preparados, informados e formados; organizados e prevenidos, para mais e melhor serviço de protecção civil. No programa “Interesse Público” da RTP-M assistiu-se a um debate, ao estilo de “conversas de avulso”, onde foi colocada a questão genérica: “Como prevenir, para evitar danos maiores?” À questão genérica, do prevenir ao se evitar danos maiores, que é como quem diz “minimizar consequências”, predominou o avulso, e as omissões, ficamos com a sensação, que temos mesmo de confiar na “Virgem Maria e na Divina Providência”, certo que é um dado adquirido que a sorte até agora tem protegido os audazes. Não vale a pena “bater mais no ceguinho”, porque de incêndio em incêndio e de aluvião em aluvião, a conversa é sempre a mesma, “vamos estudar os acontecimentos”, e assim, “vamos nos preparar melhor em termos preventivos”, acabando, por se ficar apenas pelas conversas avulsas, em que políticos, estão mais preocupados, com o impacto da situação, num retorno a duplicar, em sucesso eleitoral. E a estação das chuvas aproxima-se e no terreno, já se notam algumas movimentações, que nos deixam algo apreensivos, é estar atento às nossas encostas, e a depósitos de detritos; em termos preventivos, será que estamos a fazer, o que se deve mesmo fazer, “para evitar danos maiores”! Agora, outros intervenientes, se “alevantam” para colher frutos, os da reconstrução, e da reflorestação, é apoios, linhas de crédito, são milhões que se tem de, deitar a mão. Nunca mais se ouviu a voz daqueles empresários, que eram políticos e deputados pela manhã, e á tarde gestores e investidores em empresas de construção civil, que continuam a servir o regime. Aqui também, já nem se precisa de gastar “nem água, nem sabão azul”, está tudo claro e límpido. Mas foi um gosto, uma delícia, assistir a um debate sobre incêndios recheado, entre linhas, de “nata política” quanto baste. Ficou a certeza “que fariam tudo da mesma forma”, sem arrependimentos, nem ressentimentos. Bastaria uma avaliação grosseira ao desempenho, onde o item “prevenção”, para se ter a clara noção, que a governação, pecou de forma mortal em actos e omissões. Envolver a sociedade civil é fundamental e inadiável; os cidadãos, para que em termos de eficiência e eficácia os famigerados planos de protecção civil municipal e regional, pudessem contar, com gente preparada e treinada, pelo menos, alguns sectores públicos, empresas e escolas, onde abunda o laxismo em termos de formação e informação que se deve disponibilizar, para mais e melhor protecção civil, para sim, se apostar numa, cultura de cidadania preventiva. Claro que serão precisos mais meios humanos, técnicos, profissionais devidamente habilitados, reconhecidos e valorizados, com acesso aos melhores e mais modernos equipamentos, não se pode continuar a desinvestir, naqueles, que para exercerem a sua profissão, de elevado risco, têm de o fazer com o recurso a actos de heroísmo; as suas vidas também, são importantes, preservar e proteger, assim como os indivíduos objecto da sua protecção, têm de estar capacitados e preparados, para colaborar e ajudar, por isso é fundamental também, uma aposta na educação para uma cidadania de prevenção: é actualmente uma falha inaceitável, em quase todos os estabelecimentos de ensino e na maior parte das empresas. Aos políticos cabe traçar a estratégia necessária para uma maior capacitação da sociedade civil no enfrentar de situações adversas, as quais são quase uma normalidade que urge contrariar para se evitar “danos maiores”…