O presente texto reflete a minha posição em relação a um tema cada vez mais debatido nos nossos dias. Este tema geral será decomposto em três artigos, sendo este o primeiro, acerca da diferença entre um chefe e um líder. Afinal como devemos liderar? Será fácil? Gerir uma estrutura é simples? Que conhecimentos devemos ter? Há um aspeto que considero primordial: a ideia clara de que “chefiar” e “liderar” são conceitos completamente diferentes. Um bom chefe não é, necessariamente, um bom líder. Chefiar de forma correta e com perspetiva futura implica obrigatoriamente: o planeamento a médio e a longo prazo; a execução de orçamentos e respetivas prioridades; a resolução de problemas; a manutenção da ordem e o desenvolvimento de estratégias. Enfim, competências que podem ser desempenhadas por qualquer um dos elementos da equipa. Contudo, liderar é muito mais do que isso! Liderar resulta da nossa forma de ser e de estar. Através da nossa conduta e de um espírito vencedor, procuramos influenciar os outros a atingirem, com maior entusiasmo, empenho e vontade, um objetivo comum, inspirando-os com confiança, por meio da força do nosso caráter. Porém, não há uma necessidade clara de a chefia ou uma posição hierárquica superior determinar esta influência, porque um bom líder é um mobilizador de vontades. Esta mobilização de vontades, a famosa regra dos 80%/20%, está dependente daquele elemento ser um verdadeiro exemplo. Discute-se muitas vezes o papel da autoridade enquanto habilidade para conduzir os demais a realizarem, de bom grado, a vontade de um líder sem que haja necessidade de aplicação de poder. Entenda-se por “poder” a capacidade de obrigar, pela nossa posição na empresa, o cumprimento da nossa vontade, ainda que os trabalhadores prefiram não a realizar. Assim, destaco alguns aspetos que demarcam um chefe de um líder: Um chefe é essencialmente um administrador de recursos humanos em que a necessidade de ganhar impera e exerce o seu cargo impondo o seu poder. Para o “chefe” todos os conflitos são problemas e as pessoas são motivadas apenas pelo ordenado. Um líder, como o nome indica, lidera pessoas de uma forma quase inata, após demonstrar o seu espírito vencedor, exercendo o seu cargo por via da sua competência e reconhecimento perante os seus colaboradores. Para o “líder”, os conflitos são lições que implicam algumas mudanças no dia-a-dia e o aparecimento de crises é motivação para pensar em novas oportunidades. Que competências definem um líder? Assim, de uma forma sucinta, direi que um líder corresponde à imagem da dedicação de todos os seus cooperantes. O líder deve mostrar e comunicar permanentemente ao grupo qual a direção a seguir e o motivo de cada decisão. As metas definidas devem ser compatíveis e atingíveis na sua totalidade pelo conjunto. Não há a necessidade da aprovação de todos, mas é indispensável mostrar a viabilidade e a vantagem de alcançar as metas propostas, potenciando a equipa para concretizá-las. Esta comunicação deve assentar num ambiente de cordialidade e cooperação, pedindo aos demais elementos o desenvolvimento de estratégias, assegurando a participação de todos e, posteriormente, dando o respetivo feedback como retribuição do esforço realizado por todos. Desta forma, e apesar de nada ser verdadeiramente cor-de-rosa, procura-se, ao liderar bem, estimular a produtividade e a criatividade dos recursos humanos, assegurando os instrumentos para a concretização das metas propostas. Finalmente, em relação à aplicação da liderança e à verdadeira gestão de uma equipa, todos devem ter a noção de que um líder tem de ser leal e verdadeiro para com os membros do grupo, em qualquer circunstância, inclusive em prejuízo próprio, com a consciência de que com a liderança advém grande responsabilidade e envolvimento nas metas traçadas. Nada é pior para um grupo de pessoas, que pensa e desenvolve estratégias diariamente para um objetivo comum, do que a quebra de confiança! O resultado é a desilusão! Liderança e correta gestão exercem-se, não só estimulando o alcançar de metas, mas também através de uma identificação com o grupo, pela manutenção de uma comunicação clara com todos, colocando os objetivos da equipa acima dos seus caprichos, preferências ou vontades pessoais, mediante a devida cautela, mas assumido riscos.
João Miguel de Freitas Médico