Sempre achei estranha a lógica de alguns colunistas (se é assim que se chama às pessoas que, como eu, colaboram com este Diário através destes escritos mensais) aproveitarem o espaço para escreverem para os seus. Será, porventura, pelo facto de não saber quem são esses meus até porque, como já disse noutras ocasiões, não procuro agradar ninguém nem dirigir-me a nenhum grupo específico; escrevo, assumindo para o bem e para o mal, o que me vai na alma e sem mais nenhuma restrição que não seja a minha consciência. Por isso procuro não misturar! Uma coisa é a função, uma qualquer função e, nessa qualidade, ter eventualmente de medir as palavras e procurar estar centrado em determinados objectivos com a mensagem e outra é este tipo de exercício de liberdade de expressão, sem estar agarrado a nada que não seja ao que acima disse. Se fiz ou deixei de fazer, se realizei ou não, como e quando, isso não interessa nada, pelo menos para aqui. Assumo por inteiro tudo o que digo e escrevo e gosto, sobretudo, quando por qualquer via me respondem com dúvidas, críticas e, sobretudo, com ideias que são a antítese do que penso. Porque o objectivo é exactamente o de fomentar a discussão e não o da recolha de elogios, embora não negue que palavras de conforto e concordância sejam uma agradável massagem ao ego. Mas a discussão devia, penso que concordarão, centrar-se na tal mensagem que se tenta passar. Se eu escrevo sobre iogurtes ou geografia no espaço e me respondem que sou um explorador de pessoas ou um economista de araque (e eu que até sou de Gestão), ainda por cima sem terem a hombridade de assumirem o que dizem, sinceramente não percebo a intenção. Para ajudar essas pessoas, aqui fica uma declaração: - não sou, nunca fui e não tenciono ser político. Admiro-os muito, por entender ser uma actividade nobre e só um pouco menos nos tais momentos em que eles aproveitam para falar para as suas hostes mas é algo que não quero para mim. Discutam, critiquem e mandem vir à vontade, meus caros leitores envergonhados (reparem que nem Vos chamei cobardes) mas a mim, André Barreto, e não a nenhuma função que desempenho, seja ela qual for. Sou eu que desperdiço caracteres em vão, não é nenhuma das minhas funções.
André Barreto