Luis Ornelas Como todos os cidadãos e turistas que frequentam a baixa do Funchal já devem ter reparado, existem já várias pessoas que se dedicaram a fazer transportar cães em carrinhos de bebé. Até aqui tudo bem e se calhar podiam merecer um louvor do PAN. Existe na realidade um rodopio de pessoas, que vão e vem fazer festas aos cães, já presenciei a entregas directas de algum “produto”, falam em “gramas” entregam dinheiro, e o carrinho dos cães lá vai andando. Um destes passeantes de carrinho dos cães já viveu durante poucas semanas, debaixo da rocha do miradouro das cruzes, entretanto mudou de posto para as traseiras da casa da mãe do alberto joão e foi expulso pela policia, nessa altura era um vai e vem de amigos sempre atrás do homem até às tantas da noite, a juntar às prostitutas e proxenetas que por ali andam há anos. Este agora anda pela zona do marina shopping sempre com a mesma trupe atrás, só os cães vão variando. Um outro mais velho, que já foi capa na revista do Diário, com o seu carrinho e respectivos cães, passeia pela cidade durante o dia mas vai dormir para a estação de tratamento de águas residuais, na zona velha. Um dia destes presenciei uma cena degradante, bem cedo pela manhã a meio de turistas de um navio de cruzeiro, estava o senhor dos cães a prestar auxilio a um toxicodependente que se estava a injectar no wc públicos das senhoras da avenida do mar, rodeado de papeis com algum sangue que lhe escorria do braço, pensei eu, que lindo cartaz turístico. Há ainda outro que aderiu a esta moda e andou a desfilar com flores à cabeça na festa da flor, mas não querendo alongar este texto queria finalizar deixando algumas dúvidas: O que será que acontece aos cães que vão desaparecendo dos carrinhos e substituídos por novos? seria bom o PAN investigar. Será que no carrinho só são transportados cães e trapos ou há algum produto ilícito à mistura? seria bom as autoridades investigarem. O wc da avenida também é sala de chuto? Não sou contra toxicodependentes ou alcoólicos, nem contra os amigos dos animais apeados ou de carrinho, apenas acho que deveria haver mais apoio/intervenção junto desta gente. As ruas do Funchal viraram casa e dormitório há meses/anos para dezenas de pessoas, um cartaz bem triste para quem por aqui passa e olha para o chão.