O modelo de apoios ao desporto em vigor, criado em 2012, assenta em 8 “potes”: modalidades profissionais vocacionadas para a performance e espetáculo; modalidades coletivas em provas nacionais; competição regional; modalidades não coletivas em provas nacionais e internacionais; associações; desporto para todos; formação; eventos. Quando emergiu, altura pela qual já expressei esta mesma opinião, foi um modelo inovador de apoio ao desporto regional incentivando as instituições desportivas, que concorriam aos apoios públicos, a uma nova dinâmica e a se reorganizarem em torno dos seus reais objetivos. Não sendo um modelo perfeito… foi e continua a ser um bom modelo! Visa essencialmente a distribuição das verbas existentes em função das atividades realizadas e ainda encoraja as entidades a encontrarem outras formas de financiamento.
Pote 1 inclui, o futebol profissional, SAD basquetebol masculino, SAD andebol masculino e feminino. Embora considere que a ideia base tivesse sido integrar neste pote as modalidades ditas profissionais, atualmente, só o futebol é profissional! Com a extinção das ligas profissionais, em 2009, tanto no andebol como no basquetebol, estas modalidades passaram a ser amadoras. Logo, a colocação destas modalidades no pote 1 poderá ter tido origem no facto das suas equipas estarem a competir no mais alto nível da competição nacional e das equipas seniores estarem referenciadas pela sua elevada performance e pelos excelentes espetáculos desportivos que proporcionam ao público em geral. Portanto, isto suscita a seguinte questão: porque integrar o andebol Feminino no pote 1 e não fazê-lo com o basquetebol feminino? Se formos analisar a equipa sénior feminina do CAB, para além dos brilhantes espetáculos desportivos que proporciona, é um exemplo típico de alta performance. Muito resumidamente, desde que esta equipa ascendeu ao nível de competição mais elevado do basquetebol português (1994/95) venceu 27 provas nacionais, entre as quais, 7 campeonatos nacionais, 7 supertaças, 7 taças de Portugal, 3 taças da liga, 1 taça federação e 2 taças Vitor Hugo tendo ainda sido finalista inúmeras vezes dessas mesmas provas.
Por fim, aproveito para lançar um desafio e convidar os leitores a visitar o site da FPB no seguinte endereço: http:/www.fpb.pt/fpb2014/!site.go?s=1&show=my.cat02&codigo=HIST-CF para verificarem qual o clube que possui mais troféus/títulos nacionais conquistados no basquetebol feminino, desde 1954/55, incluindo a formação. Adianto só que é o CAB, com um total de 38 títulos/troféus, e com uma grande distância de todos os restantes clubes! Portanto, de acordo com esta análise, faz ou não sentido o basquetebol feminino ser integrado no pote 1?
Sandra Reynolds